A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos
Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?
quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Fernando Pessoa - Cumpre-te Hoje, não Esperando
Não queiras, Lídia, edificar no spaço
Que figuras futuro, ou prometer-te
Amanhã. Cumpre-te hoje, não 'sperando.
Tu mesma és tua vida.
Não te destines, que não és futura.
Quem sabe se, entre a taça que esvazias,
E ela de novo enchida, não te a sorte
Interpõe o abismo?
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Que figuras futuro, ou prometer-te
Amanhã. Cumpre-te hoje, não 'sperando.
Tu mesma és tua vida.
Não te destines, que não és futura.
Quem sabe se, entre a taça que esvazias,
E ela de novo enchida, não te a sorte
Interpõe o abismo?
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
sábado, 5 de maio de 2012
Serpentium
Há de concordar que
o caos tem aqui reinado
e que de sombras e intrigas
saboreou seu banquete.
Garanto-lhe se assim ocorreu
Foi por tua aparência fingida
de dama frágil, desprotegida,
E outros sequer notaram
o teu riso de serpente.
Tão falsa!E tão bela, não nego,
Meu amor te jurei - Oh danação!
Usou-me em teus planos, infiel!
Armou-me ciladas - Traição!
És tão vil e voraz e cruel
que tua majestade bastarda
inspirada em suave veneno
conspurca o imaculado
e camufla teus delitos sangrentos.
Jurei justiça a quem feristes
Jurei tua cabeça, ó malvada!
Agora prepara-te para tua sorte,
Bruxa nefasta, cruel e desalmada!
Crimes e vinganças tramastes,
e ninguém acusar-te ousaria,
mas agora diante de mim, tremes
por saber que seu castigo é certo
e da morte tu já te aproximas!
Faz tua prece, teu último desejo
Já estás julgada, e condenada,
Morre agora! E paga com sangue
O Mal que fizeste ao mundo!
J.A.Cabral
05.12
(03/04 - 05/05)
o caos tem aqui reinado
e que de sombras e intrigas
saboreou seu banquete.
Garanto-lhe se assim ocorreu
Foi por tua aparência fingida
de dama frágil, desprotegida,
E outros sequer notaram
o teu riso de serpente.
Tão falsa!E tão bela, não nego,
Meu amor te jurei - Oh danação!
Usou-me em teus planos, infiel!
Armou-me ciladas - Traição!
És tão vil e voraz e cruel
que tua majestade bastarda
inspirada em suave veneno
conspurca o imaculado
e camufla teus delitos sangrentos.
Jurei justiça a quem feristes
Jurei tua cabeça, ó malvada!
Agora prepara-te para tua sorte,
Bruxa nefasta, cruel e desalmada!
Crimes e vinganças tramastes,
e ninguém acusar-te ousaria,
mas agora diante de mim, tremes
por saber que seu castigo é certo
e da morte tu já te aproximas!
Faz tua prece, teu último desejo
Já estás julgada, e condenada,
Morre agora! E paga com sangue
O Mal que fizeste ao mundo!
J.A.Cabral
05.12
(03/04 - 05/05)
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Gabriel, o Pensador - Cavaleiro Andante (trecho)
No meio do caminho pode ter uma pedra
mas no meio dessa pedra pode ter um caminho
a pedra no caminho pode ser um diamante
pode ser que ela me atrase, pode que eu me adiante
Toda pedra pode ser um diamante
todo dia pode ser um grande dia
toda noite pode ser aquela noite
aquela noite não foi mas também podia
Aprendi na poesia anestesiante
e na porrada sagrada de cada dia
que a gente pode e deve ser confiante
mas não pode dar mole nem quando a gente confia
mas no meio dessa pedra pode ter um caminho
a pedra no caminho pode ser um diamante
pode ser que ela me atrase, pode que eu me adiante
Toda pedra pode ser um diamante
todo dia pode ser um grande dia
toda noite pode ser aquela noite
aquela noite não foi mas também podia
Aprendi na poesia anestesiante
e na porrada sagrada de cada dia
que a gente pode e deve ser confiante
mas não pode dar mole nem quando a gente confia
terça-feira, 1 de maio de 2012
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