quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Castro Alves - Os Anjos da meia noite(fragmento)

Quando a insônia, qual lívido vampiro,
Como o arcanjo da guarda do Sepulcro,
Vela à noite por nós,
E banha-se em suor o travesseiro,
E além geme nas franças do pinheiro
Da brisa a longa voz ...

Quando sangrenta a luz no alampadário
Estala, cresce, expira, após ressurge,
Como uma alma a penar;
E canta aos quizos rubros da loucura
A febre - a meretriz da sepultura
A rir e a soluçar ...

Quando tudo vacila e se evapora,
Muda e se anima, vive e se transforma.
Cambaleia e se esvai...
E da sala na mágica penumbra
Um mundo em trevas rápido se obumbra...
E outro das trevas sai...

Noturno - Antero de Quental

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!

Glória Morta - Dante Milano

Tanto rumor de falsa glória,
Só o silêncio é musical,
Só o silêncio,
A grave solidão individual,
O exílio em si mesmo,
O sonho que não está em parte alguma.
De tão lúcido, sinto-me irreal.

Testamento - Manuel Bandeira

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros - perdi-os...
Tive amores - esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Winternight (tradução)Visions Of Atlantis


Gritos cheios de lamentos estão em minha mente

Nesta noite tempestuosa de inverno

Pinto uma sombra em meu coração

Uma nuvem negra de chuva sobre mim


Veja, esta sou eu, nenhum prazer de se ver

A nuvem escura ainda está me rodeando

Assustada, por ser uma forma diferente de mim mesma

E a tempestade furiosa, sem parar

Fria noite de inverno – sem saída da escuridão

Ninguém para me levar de volta

Ao lugar a que eu pertenço


Tentei respirar em raios de luz

Eu não posso estar sem minha noite de inverno


Veja, esta sou eu, nenhum prazer de se ver

A nuvem escura ainda está me rodeando

Assustada, por ser uma forma diferente de mim mesma

E a tempestade furiosa, sem parar

Fria noite de inverno – sem saída da escuridão

Ninguém para me levar de volta

Ao lugar a que eu pertenço


Segredos descobertos nunca serão encontrados

Sem renascimento, sem arrependimentos, sem ninguém para abraçar


Fria noite de inverno – sem saída da escuridão

Ninguém para me levar de volta

Ao lugar a que eu pertenço

Segredos descobertos nunca serão encontrados

Sem renascimento, sem arrependimentos, sem ninguém para abraçar