sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Brevidades

I
Onde está o poeta?
Perdido em meio as lágrimas...
Onde está a coragem?
Afundou já nestas vagas...

II
A tristeza faz suas vítimas,
sem nem as escolher,
a vida nos traz agonia,
sem um bom motivo ter...

III
Na noite que se acaba
vejo um pesar, no rosto teu,
Nos teus olhos vejo a morte
de um sonho meu...
 
IV
É sabio não pensar
nas horas mortas,
em que oras, e choras,
por desejar não mais viver

V
Nostalgia, velha amiga
Sempre em minha companhia
Trazendo boas memórias
"Queria reviver estes dias!"

VI
Voltando no tempo,
Em que teus olhos pousaram
Docemente nos meus
Logo depois: o adeus...

VII
Sempre um caminho
para o poeta trilhar;
Sempre um espinho,
e o coração a sangrar...

VIII
Caminhe entre as sombras
Andarilho, filho do Mar.
Cante seu poema as rochas,
Que sempre haverão de escutar

IX
O coração tristonho
é como espelho partido
Reflete tudo tortamente
qual desejos feridos.

X
Aquele que como profeta
A tristeza, foi anunciar...
Onde estará o poeta?
As vagas o levam ao mar...

J.A.Cabral 01/10

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fernando Pessoa - Há doenças piores que as doenças

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma,
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pode ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

Chalice - Memorial Embers(tradução)

Onde uma vez que uma criança ingénua aprendeu as cordas da vida e da dor
Um caminho pálido forjou para ver essas sobras com desdém
Como folhas descendente são uma exibição sazonal
Dentro dessas árvores e a brisa sutil caí de graça hoje

Onde uma vez que um menino protegido tinha aprendido a tristeza de seu passado
Um caminho pálido forjou para queimar as recordações finais
Como serpentes descartam sua pele acorrentada e continuam as mesmas
Sem essa carne a vida é fresca, como se renascido outra vez

As sombras de uma vela decoraram uma vez
com o ambiente em baixo de uma chama agonizante
Infinito é o solitário em tão longo sofrimento
Sem essa carne a vida é fresca, como se renascido outra vez
renascido outra vez
renascido outra vez

Hoje a mentira das serpentes despidas
E a terra se adornou com folhas
E eu descanso no pôr-do-sol
Com uma alma que aprendeu a respirar
Hoje eu caí da graça
Entre mil brasas que sobem
Abaixo do céu desvanecem-se e morrem-se
Enfim ... para que eu não me lembre

Moonspell - Scorpion Flower(tradução)

Maldição do dia, saudação da noite
Flores nascem no deserto
No seu coração vazio
No peito que alimenta
Flor acabada na escuridão

Posso roubar sua mente por algum tempo?
Posso parar por um tempo o seu coração?
Posso congelar a sua alma e seu tempo?
Flor escorpião
Símbolo da morte
Acenda os céus com seus olhos
E me mantenha afastado da sua luz

Se renda as suas lágrimas para seu ato mortal
Flor amaldiçoada pelo teu fruto
Pela sua última coragem
Pelo seu grande final
Flor esmagada no chão
No seu coração vazio
No peito que alimenta
Flor acabada na escuridão

Posso roubar sua mente por algum tempo?
Posso parar por um tempo o seu coração?
Posso congelar a sua alma e seu tempo?
Flor escorpião
Símbolo da morte
Acenda os céus com seus olhos

No seu coração vazio
No peito que alimenta
Flor acabada na escuridão

Posso roubar sua mente por algum tempo?
Posso parar por um tempo o seu coração?
Posso congelar a sua alma e seu tempo?
Flor escorpião
Símbolo da morte
Acenda os céus com seus olhos

Augusto dos Anjos - O CONDENADO

"Folga a Justiça e geme a natureza"
Bocage
 
 
Alma feita somente de granito,
Condenada a sofrer cruel tortura
Pela rua sombria d'amargura
- Ei-lo que passa - réprobo maldito.

Olhar ao chão cravado e sempre fito,
Parece contemplar a sepultura
Das suas ilusões que a desventura
Desfez em pó no hórrido delito.

E, à cruz da expiação subindo mudo,
A vida a lhe fugir já sente prestes
Quando ao golpe do algoz, calou-se tudo.

O mundo é um sepulcro de tristeza.
Ali, por entre matas de ciprestes,
Folga a justiça e geme a natureza.