quarta-feira, 5 de setembro de 2012

cinco de maio

Quero dar as rosas todo o meu amor
Quero dar a chuva toda a minha dor
Quero ser outra sombra, vagando, escondida,
Quero andar para além dessa vida vazia.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Baudelaire - Em qualquer lugar fora do mundo


Esta vida é um hospital onde cada doente está possuído pelo desejo de mudar de leito.Este gostaria de sofrer em frente a um aparelho de calefação, aquele outro crê que se curaria em frente à uma janela. 
Parece-me que estarei sempre bem lá onde não estou, e essa questão de mudança é um assunto que discuto sem cessar com minha alma.
“Diga-me, minha alma, pobre alma resfriada, que pensarias de morar em Lisboa? Lá deve fazer calor e tu te regozijarias como um lagarto. Essa cidade fica à beira-mar, diz-se que foi construída com mármore e que o povo tem um tal ódio por vegetais que arranca todas as árvores. Eis uma paisagem segundo teu gosto; uma paisagem com a luz e o mineral, e o líquido para refleti-los!”
Minha alma não responde.
“Posto que amas tanto o repouso com o espetáculo do movimento, queres vir habitar na Holanda, essa terra beatificante? Talvez se divertirás nesse lugar cujas imagens freqüentemente admiraste nos museus. Que pensarias tu de Rotterdam, tu que amas as florestas de mastros e de navios amarrados ao pé das casas?”
Minha alma permanece muda.
“Batávia sorriria, talvez mais para ti. Nós encontraríamos lá, então, o espírito da Europa casado com a beleza tropical.”
Nenhuma palavra. Estaria morta a minha alma?
“Chegaste a este ponto de entorpecimento que não te alegras senão com teu próprio malSe é assim, fujamos, então, para os países que são as analogias da morte. Já sei o que devemos fazer, pobre alma! Nós faremos nossas malas para Tornéo. Iremos mais longe ainda, ao extremo fim do Báltico, ainda mais longe da vida, se é possível; nos instalaremos no pólo. Lá o sol não roça senão obliquamente a terra, e as lentes alternativas da luz e da noite suprimem a variedade e aumentam a monotonia, essa metade do nada. Lá nós poderemos tomar longos banhos de trevas, enquanto que para nos divertir as auroras boreais nos enviarão, de vez em quando, seus fachos róseos, como reflexos de fogos de artifício do inferno!”
Enfim minha alma explodiu e sabiamente gritou para mim: 
“Não importa onde! Não importa onde! desde que seja fora desse mundo!”

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Raimundo Correia - Anoitecer



Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Jorge Luis Borges - Citação

"(...)A serenidade é algo a que podemos aspirar sempre; talvez não a alcancemos completamente, mas a alcançamos mais facilmente na velhice do que na juventude. E a serenidade é o maior bem -- esta não é uma ideia original minha; não existem ideias originais -- bem, os epicuristas, os estoicos, pensavam dessa forma. Mas, por que não nos parecermos com esses ilustres gregos: o que mais podemos desejar?"