quinta-feira, 27 de junho de 2013

Charles Baudelaire - Spleen

Quando o cinzento céu, como pesada tampa, 
Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta, 
E a sua fria cor sobre a terra se estampa, 
O dia transformado em noite pardacenta; 

Quando se muda a terra em húmida enxovia 
D'onde a Esperança, qual morcego espavorido, 
Foge, roçando ao muro a sua asa sombria, 
Com a cabeça a dar no tecto apodrecido; 

Quando a chuva, caindo a cântaros, parece 
D'uma prisão enorme os sinistros varões, 
E em nossa mente em frebre a aranha fia e tece, 
Com paciente labor, fantásticas visões, 

- Ouve-se o bimbalhar dos sinos retumbantes, 
Lançando para os céus um brado furibundo, 
Como os doridos ais de espíritos errantes 
Que a chorrar e a carpir se arrastam pelo mundo; 

Soturnos funerais deslizam tristemente 
Em minh'alma sombria. A sucumbida Esp'rança, 
Lamenta-se, chorando; e a Angústia, cruelmente, 
Seu negro pavilhão sobre os meus ombros lança! 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal" 
Tradução de Delfim Guimarães 

Pablo Neruda - 20 poemas de amor e uma cação desesperada (poema 10)

10.

Nós perdemos também este crepúsculo.
Ninguém nos viu À tarde com as mãos unidas
enquanto a noite azul caia sobre o mundo.


Vi, de minha janela,
a festa do poente nos montes distantes.


Às vezes, qual moeda,
se ascendia um pouco de sol em minhas mãos.


Eu te recordava com a alma apertada
por essa tristeza que conheces em mim.


Então, onde estarias?
Junto a que gente?
Dizendo que palavras?
Por que me há de vir todo este amor de um golpe
quando me sinto triste, e te sinto longe?


Caiu o livro que sempre se toma no crepúsculo,
e como um cão ferido tangeu aos pés minha capa.


Sempre, sempre te distancias entre as tardes
até onde o crepúsculo corre apagando as estatuas.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

W. Blake - trecho, O casamento do céu e do inferno.

O que hoje esta provado, ontem não passava de imaginação.

sábado, 22 de junho de 2013

Joy Division - Passover(tradução)

Esta é a crise que eu sabia que viria,
Destruindo o equilíbrio
que eu mantinha.
Duvidando e perturbando e invertendo a direção,
Imaginando o que virá depois.

É este o papel que você quis viver?
Eu fui um tolo por pedir tanto.
Sem a proteção e guarda da infância,
Tudo se despedaça ao primeiro toque.

Observando o carretel à medida que se aproxima,
Brutalmente tomando tempo,
Pessoas que mudam sem razão alguma,
Está acontecendo o tempo todo.

Posso seguir adiante com essa série de eventos?
Perturbando e purgando minha mente,
Recuo das minhas responsabilidades,
quando tudo tiver sido dito e feito
Eu sei que perderei todas as vezes.

Avançando nos caminhos dados por nosso Deus,
A segurança é presidida pelo fogo,
Santuário destes sorrisos febris,
Deixados com uma marca na porta.

Este é o presente que eu quis dar?
Perdoe e esqueça
o que eles ensinam,
Eu passarei pelos desertos e enfraquecerei
uma vez mais,
E observe como eles caem pela praia.

Está é a crise que eu sabia que viria,
Destruindo o equilíbrio que eu mantinha.
Virando-se para o próximo conjunto de mentiras,
Imaginando o que virá depois.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Paulo Leminski - É tudo o que sinto

Inverno 
É tudo o que sinto 
Viver 
É sucinto.