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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Benjamin - Como é que a Solidão Hei-de Ir Medindo?

Como é que a solidão hei-de ir medindo? 
desse-me os golpes de uso inda esta dor 
um a um sua nudez a sobrepor 
que o ritmo sem nome a foi vestindo 

mas sofro agora o tempo nu saindo 
numa levada sem nenhum teor 
gasto caudal do meu rio interior 
nem chora o peito por mais gritos vindo 

Quando é que é novo ano na amargura 
quando volto a chegar-me à desventura 
que me faz falta em ocos dias vis. 

ah quando é que arde escura em cores febris 
à testa do ano como a vi na altura 
do agosto em chamas funda cicatriz? 

sábado, 25 de setembro de 2010

Especial Walter Benjamin

"Deus é quem nutre todos os homens, 
e o Estado é quem os reduz à fome."

Biografia - Walter Benjamin

Walter Benjamin (Berlim, 15 de julho de 1892 — Portbou, 27 de setembro de 1940) foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão.
Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi fortemente inspirado tanto por autores marxistas, como Georg Lukács e Bertolt Brecht, como pelo místico judaico Gerschom Scholem. Conhecedor profundo da língua e cultura francesas, traduziu para alemão importantes obras como Quadros Parisienses de Charles Baudelaire e Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. O seu trabalho, combinando ideias aparentemente antagónicas do idealismo alemão, do materialismo dialético e do misticismo judaico, constitui um contributo original para a teoria estética. Entre as suas obras mais conhecidas, contam-se A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica (1936), Teses Sobre o Conceito de História (1940) e a monumental e inacabada Paris, Capital do século XIX, enquanto A Tarefa do Tradutor constitui referência incontornável dos estudos literários.

fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Walter Benjamin - Vibra o Passado em Tudo o que Palpita

Vibra o passado em tudo o que palpita
qual dança em coração de bailarino
ao regressar já mudo o violino
e há nuvens sobre o bosque em que transita

À paz dos seres a morte em seu contínuo
crescer em ramos de coral incita
a bem da noite negra e infinita
ser um raro instrumento é seu destino:

O ceptro dos eleitos que não cansam
o corpo que este tempo já não quebra
é como a cruz que os astros quando avançam

sobre o sul traçam por medida e regra
Os deuses têm-no em suas mãos cativo
risível é quem eles mandam vivo.

Walter Benjamin, in "Sonetos"
Tradução de Vasco Graça Moura