(...)
Não te inquiete saber – eu nada sei,
E entanto a voz em mim é irmã do ardor;
Não te inquiete saber – eu nada sei,
E entanto a noite me ouve. Quem se entristesse
Pensando no ócio, nunca está ocioso, –
E está desperto quem se crê a dormir.
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domingo, 12 de junho de 2011
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Keats - Ode a melancolia
Não, não te aproximes das águas do Letes,
nem queiras recolher o vinho venenoso
do acónito, cujas raízes estão entrelaçadas;
evita que tua fronte pálida se deixe beijar
pela beladona, as vermelhas bagas de Prosérpina;
não teças o teu rosário com as sementes dos ciprestes,
nem deixes que o escaravelho ou a borboleta nocturna
sejam a tua fúnebre Psique, ou que torne o mocho,
de penugem tão macia, o confidente da tua dor misteriosa
— porque, unida às outras sombras, uma sombra virá
cheia de torpor
e há-de extiguir, dentro da tua alma, uma angústia vigilante
evita que tua fronte pálida se deixe beijar
pela beladona, as vermelhas bagas de Prosérpina;
não teças o teu rosário com as sementes dos ciprestes,
nem deixes que o escaravelho ou a borboleta nocturna
sejam a tua fúnebre Psique, ou que torne o mocho,
de penugem tão macia, o confidente da tua dor misteriosa
— porque, unida às outras sombras, uma sombra virá
cheia de torpor
e há-de extiguir, dentro da tua alma, uma angústia vigilante
Mas se, inesperado, o acesso da melancolia descer
do céu, como se fosse as lágrimas duma nuvem
que reanima as flores, cujas hastes tristemente pendiam,
e as verdes colinas oculta sob um véu primaveril,
então, deixa que se tranquilize a tua dor sobre uma rosa
matinal.
sobre o arco-íris que surge junto às vagas e à areia salgada
ou sobre o esplendor esférico das peónias;
ou se, cheia de delícia, aquela que tua amas se exalta<
pega na sua mão delicada, deixa que ela delire
e bebe nos seus incomparáveis olhos, longamente.
do céu, como se fosse as lágrimas duma nuvem
que reanima as flores, cujas hastes tristemente pendiam,
e as verdes colinas oculta sob um véu primaveril,
então, deixa que se tranquilize a tua dor sobre uma rosa
matinal.
sobre o arco-íris que surge junto às vagas e à areia salgada
ou sobre o esplendor esférico das peónias;
ou se, cheia de delícia, aquela que tua amas se exalta<
pega na sua mão delicada, deixa que ela delire
e bebe nos seus incomparáveis olhos, longamente.
Com ela vive a beleza — que deve morrer,
e a alegria cuja mão se leva aos lábios
para dizer adeus; e, próximo, fica o doloroso prazer
que se transforma em veneno quando as abelhas dos lábios o
aspiram.
Sim, no interior do próprio templo da alegria
está o altar soberano da melancolia, coberta de véus,
apenas visível para aquele que consegue provar
as uvas da alegria, com um impetuoso e puro desejo;
mas o seu espírito depous há-de sentir amargamente
o poder que ela tem ao ficar entre seus troféus
nebulosos…
e a alegria cuja mão se leva aos lábios
para dizer adeus; e, próximo, fica o doloroso prazer
que se transforma em veneno quando as abelhas dos lábios o
aspiram.
Sim, no interior do próprio templo da alegria
está o altar soberano da melancolia, coberta de véus,
apenas visível para aquele que consegue provar
as uvas da alegria, com um impetuoso e puro desejo;
mas o seu espírito depous há-de sentir amargamente
o poder que ela tem ao ficar entre seus troféus
nebulosos…
segunda-feira, 15 de março de 2010
J. Keats - Citação
"A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso e não porque
é diferente. Os versos devem tocar nosso próximo, como se ele tivesse
lembrado algo que nas noites dos tempos já conhecia em seu coração. A
beleza de um poema não está na capacidade que ele tem de deixar o
leitor contente. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas
como o pôr-do-sol: Algo milagroso e natural ao mesmo tempo."
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Keats:Biografia
Aparentemente romântico Keats tornou-se um dos maiores clássicos da literatura inglesa e definiu a beleza no verso magistral que também diz muito de sua atitude para com a vida: A thing of beauty is a joy for ever ("Uma coisa bela é uma alegria para sempre").
John Keats nasceu em Londres em 31 de outubro de 1795. De origem pobre, teve educação irregular. Ao perder os pais, seu tutor o estimulou a aprender o ofício de cirurgião e o jovem poeta trabalhou em dois hospitais, mas abandonou a medicina para dedicar-se à literatura. Em 1817 Keats publicou Poems (Poemas), de concepção ultra-romântica, mas que já prenunciava seu caminho futuro, como no extenso poema "Sleep and Poetry" ("Sono e poesia"). Keats leu Spenser, Shakespeare, Marlowe e clássicos traduzidos, como Homero. Com base em leituras mitológicas, concebeu seu Endymion (1818; Endimião), em que inverte o mito da paixão de Diana (a Lua) pelo pastor. Fez de Endimião uma alegoria do amor pela beleza ideal, estética que mais tarde intensificou.
Até então rejeitado pela crítica, Keats concebeu um projeto ainda mais ambicioso, o Hyperion (Hiperião), planejado em 1818 para dez cantos, mas abandonado com quatro em 1819. O tema, a expulsão dos titãs do Olimpo pelos novos deuses, é alegoria evidente da derrota das trevas pelos novos ideais de beleza. Keats, porém, não deve ser tomado por épico. Sua obra é essencialmente lírica e compreende alguns dos poemas mais perfeitos do gênero em língua inglesa. Exprimem estética semelhante à dos poemas longos, particularmente o Hyperion, ou seja, a do belo como felicidade sensível, inatingível mas entrevista, como no célebre "The Eve of St. Agnes" (1819; "As vésperas de santa Inês").
O gênio de Keats também se revela poderoso nas grandes odes em que expressou a "capacidade negativa", segundo suas palavras, de persistir na dúvida e no mistério, sem racionalizar, como a "Ode to a Nightingale" ("Ode a um rouxinol"), a "Ode to melancholy" ("Ode à melancolia") e a "Ode to a Grecian Urn" ("Ode a uma urna grega"), em que exalta o ideal de permanência da arte. Também famosas são a "Ode on indolence" ("Ode à Indolência"), "Ode to Psyche" ("Ode a Psiquê") e "Ode to Antumn" ("Ode ao Outono"). Na balada "La Belle Dame sans merci", volta o tema do inatingível ideal estético.
Ao cuidar do irmão tuberculoso, Keats contaminou-se. Sua saúde declinou rapidamente e os últimos meses do poeta foram vividos em Roma, onde morreu em 23 de fevereiro de 1821. Prevendo o esquecimento, pediu que se gravasse em sua lápide o epitáfio: "Here lies One / Whose Name was writ in Water" ("Aqui jaz alguém / Cujo Nome foi escrito na Água"). Ocorreu o contrário: sua influência estendeu-se a simbolistas, pré-rafaelitas e até a modernos do início do século XX.
John Keats nasceu em Londres em 31 de outubro de 1795. De origem pobre, teve educação irregular. Ao perder os pais, seu tutor o estimulou a aprender o ofício de cirurgião e o jovem poeta trabalhou em dois hospitais, mas abandonou a medicina para dedicar-se à literatura. Em 1817 Keats publicou Poems (Poemas), de concepção ultra-romântica, mas que já prenunciava seu caminho futuro, como no extenso poema "Sleep and Poetry" ("Sono e poesia"). Keats leu Spenser, Shakespeare, Marlowe e clássicos traduzidos, como Homero. Com base em leituras mitológicas, concebeu seu Endymion (1818; Endimião), em que inverte o mito da paixão de Diana (a Lua) pelo pastor. Fez de Endimião uma alegoria do amor pela beleza ideal, estética que mais tarde intensificou.
Até então rejeitado pela crítica, Keats concebeu um projeto ainda mais ambicioso, o Hyperion (Hiperião), planejado em 1818 para dez cantos, mas abandonado com quatro em 1819. O tema, a expulsão dos titãs do Olimpo pelos novos deuses, é alegoria evidente da derrota das trevas pelos novos ideais de beleza. Keats, porém, não deve ser tomado por épico. Sua obra é essencialmente lírica e compreende alguns dos poemas mais perfeitos do gênero em língua inglesa. Exprimem estética semelhante à dos poemas longos, particularmente o Hyperion, ou seja, a do belo como felicidade sensível, inatingível mas entrevista, como no célebre "The Eve of St. Agnes" (1819; "As vésperas de santa Inês").
O gênio de Keats também se revela poderoso nas grandes odes em que expressou a "capacidade negativa", segundo suas palavras, de persistir na dúvida e no mistério, sem racionalizar, como a "Ode to a Nightingale" ("Ode a um rouxinol"), a "Ode to melancholy" ("Ode à melancolia") e a "Ode to a Grecian Urn" ("Ode a uma urna grega"), em que exalta o ideal de permanência da arte. Também famosas são a "Ode on indolence" ("Ode à Indolência"), "Ode to Psyche" ("Ode a Psiquê") e "Ode to Antumn" ("Ode ao Outono"). Na balada "La Belle Dame sans merci", volta o tema do inatingível ideal estético.
Ao cuidar do irmão tuberculoso, Keats contaminou-se. Sua saúde declinou rapidamente e os últimos meses do poeta foram vividos em Roma, onde morreu em 23 de fevereiro de 1821. Prevendo o esquecimento, pediu que se gravasse em sua lápide o epitáfio: "Here lies One / Whose Name was writ in Water" ("Aqui jaz alguém / Cujo Nome foi escrito na Água"). Ocorreu o contrário: sua influência estendeu-se a simbolistas, pré-rafaelitas e até a modernos do início do século XX.
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