quarta-feira, 10 de junho de 2009

Autumn - Epilogue (What's Done Is Done) (tradução)

Nesta cachoeira de lembranças eu me pergunto
Se mudei o que poderia ter sido mudado
Questionando o que e por que não posso desfazer o dia
Sim, eu percebo...
O que está feito, está feito, mas a noite ergueu a neblina
Para outro dia de vergonha

Posso apenas olhar para trás e perguntar
Se mudei o que poderia ter sido mudado?
O tempo está se declinando, mas não há pressa hoje
O que está feito, está feito, mas a enxaqueca ainda persiste
E a chuva de outono permanece

Mostre-me a fonte mais próxima para afogar meu desconforto
Uma poça rasa,
Uma poça rasa afogará
Mostre-me a fonte mais próxima para lavar minhas lágrimas
Uma poça rasa,
Uma poça rasa lavará

Posso apenas olhar para trás e perguntar
Se mudei o que poderia...?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Carla Bruni - Autumn(tradução)

Há um vento onde a rosa estava;
A chuva fria onde a grama estava;
E nuvens como ovelhas
Corrente por cima do íngreme
Os céus cinzentos onde a cotovia estava.

O ouro de nada onde o seu cabelo estava;
O nada quente onde a sua mão estava;
Mas um fantasma, abandonado,
Abaixo do espinho,
O seu espírito onde o seu rosto estava.

Os ventos tristes onde a sua voz estava;
As lágrimas, lágrimas onde o meu coração estava;
E alguma vez comigo,
Criança, alguma vez comigo,
O silêncio onde a esperança estava.

sábado, 6 de junho de 2009

Canto a Beleza

I

A beleza está além
Da compreensão
Está além da vida
Além da vaidade
Beleza não é o corpo
Não é a luxúria
Beleza é perfeição
É a alma em estado
De Suprema Graça
Um sorriso de Deus
Para nossos olhos
Isso é a verdadeira Beleza
Ela está além
De todos os prazeres
E caprichos humanos
Ela é a alma
É o brilho
Nos olhos de quem ama
Uma pétala de rosa
Na manhã de primavera
A alma foi feita para a Beleza
E ela criada para
A profunda compreensão
Da alma.

II

Beleza, coisa tão pura
Cativa os corações
Mais soberbos
Emana um aroma
Doce, inebriante
Revela aos olhos sofridos
Alegria da vida
Está tão próxima
Da harmonia Divina
Um espelho a refletir
Divina Perfeição
Dádiva que luta
Para todos abranger
Com sua candura
Quer ser acolhida
Por todas as almas
Sofridas, amarguradas
Quer trazer seu encanto
Ao mundo, triste mundo
De fantasmas vazios.
Um sorriso de criança
A tocar o coração
Uma música tão pura
Plenitude da vida
Beleza é o que
Se carrega de bom
No intimo da alma
E o que se leva
Ao céu, porque
No túmulo
O corpo é pó.


III

Simples complexidade
Suave paradoxo
Descreve seus singulares traços
Em sua essência mais pura
Está o segredo da Arte
Pois a Arte é feita dela
E para ela é criada
Beleza é a base
De todas as artes
Uma alma bela
É capaz de inventar
O que tanto espera
Para se tornar real
É capaz de despertar
Com sua obra
As mais diversas emoções
É capaz de desvendar
Toda a obscuridade
Com a imaginação
Mostra ao mundo
O que é verdadeiro
A rara Beleza
É dádiva Divina
É um raio de sol
Após a longa tempestade
É o Criador e sua criação
Em perfeita harmonia
É a vida plena.

J.A.Cabral 12/06 - 01/07

Baudelaire - HINO À BELEZA

Vens tu do céu profundo ou sais do precipício,
Beleza? Teu olhar, divino mas daninho,
Confusamente verte o bem e o malefício,
E pode-se por isso comparar-te ao vinho.

Em teus olhos refletes toda a luz diuturna;
Lanças perfumes como a noite tempestuosa;
Teus beijos são um filtro e tua boca uma urna
Que torna o herói covarde e a criança corajosa.

Provéns do negro abismo ou da esfera infinita?
Como um cão te acompanha a Fortuna encantada;
Semeias ao acaso a alegria e a desdita
E altiva segues sem jamais responder nada.

Calcando mortos vais, Beleza, a escarnecê-los;
Em teu escrínio o Horror é a jóia que cintila,
E o Crime, esse berloque que te aguça os zelos,
Sobre teu ventre em amorosa dança oscila.

A mariposa voa ao teu encontro, ó vela,
Freme, inflama-se e diz: "Ó clarão abençoado!"
O arfante namorado aos pés de sua bela
Recorda um moribundo ao túmulo abraçado.

Que venhas lá do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! Ó monstro ingênuo, gigantesco e horrendo!
Se teu olhar, teu riso, teus pés me abrem a porta
De um infinito que amo e que jamais desvendo?

De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Que importa, se é quem fazes - fada de olhos suaves,
Ó rainha de luz, perfume e ritmo cheia! -
Mais humano o universo e as horas menos graves?

Olavo Bilac - A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma de disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.