terça-feira, 31 de março de 2009

Charon - Built For My Ghosts (tradução)

Eu estou vagarosamente pegando os pedaços da minha vida,
A intenção quebra o plano de renascer.
Desejar o próprio desconhecido
tira-me do caminho em que estive por mais que eu deseje.

É apenas uma ilusão criada por mim mesmo,
É a ânsia, é o próprio desespero.
O amor era resposta que eu já não procuro mais
e dor, a ilusão que eu criei para os meus fantasmas.

Eu estou vagarosamente acordando para o agora.
A fúria do rei chegou ao seu fim.
Brincar com os pedaços da fé
engana a ânsia por mais que eu deseje.

É apenas uma ilusão criada por mim mesmo,
é a ânsia, é o próprio desespero.
É a ânsia, a ilusão,
é o desespero de procurar por mim mesmo.

domingo, 29 de março de 2009

Aldous Huxley - Admirável Mundo Novo (frag.)


"A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento. E, por certo, a estabilidade não é, nem de longe, tão espetacular como a instabilidade. E o fato de se estar satisfeito nada tem da fascinação de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de um combate contra a tentação, ou de uma derrota fatal sob os golpes da paixão ou da dúvida.

A felicidade nunca é grandiosa".



quarta-feira, 25 de março de 2009

Sem sono

olhos abertos na escuridão
olhos fechados em vão
o sono não vem...

eu vejo a noite e ela me vê
eu vejo o sonho que poderia ter
mas o sono não vem...

então fico acordada
observando a madrugada
porque o sono não vem...

J.A.Cabral 03/09

Manuel Bandeira - Crepúsculo de Outono

O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.

O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.

Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.

Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale...o horizonte purpúreo...
Consoladora como um divino perdão.

O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.

A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Persephone - Coming Home (tradução)




O fogo dos céus
está refletido em meus olhos

O barulhento mar
ondas arrebentando-se contra mim

Os tremores de terra,
eu senti uma vez
no dia de meu nascimento
Eu estava nua e sozinha...

Mas agora estou voltando para casa.