segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Apatia

E se nessas veias corressem apenas vidro
ou particulas de uma angustia imensuravel
Mas a frieza desses dias petrificou
e do que era caos, nada restou

Me dê algo pelo que chorar,
porque já não há mais
Uma ferida a sangrar
já que tudo se desfaz.

Um coração de carne, um dia tive,
agora é marmore, estanque, insoso
A vida com gosto de ócio, de osso
Apático, imóvel em seu passamento

Me dê algo pelo que sofrer
porque já não há mais
A sorte de se morrer
e estar no túmulo em paz.

E se de amargura meus dias fossem feitos
minhas sombras me inundassem do pior medo
mas não resta nada, nem dor, nem cor, nem tédio
Ora, que farei se não há mais remédio?

Se me trazes de volta a realidade, agora
é porque o passado de quem lhe amou
lhe implorou por um pouco de vida, calor
e tu, desertor, o deixastes ir embora.

J.A.Cabral
11/11








Um comentário:

Vicente Neto disse...

melancólico, muito sincero.... destrutivo e construtivo... faz bem :D