quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Castro Alves - Os Anjos da meia noite(fragmento)

Quando a insônia, qual lívido vampiro,
Como o arcanjo da guarda do Sepulcro,
Vela à noite por nós,
E banha-se em suor o travesseiro,
E além geme nas franças do pinheiro
Da brisa a longa voz ...

Quando sangrenta a luz no alampadário
Estala, cresce, expira, após ressurge,
Como uma alma a penar;
E canta aos quizos rubros da loucura
A febre - a meretriz da sepultura
A rir e a soluçar ...

Quando tudo vacila e se evapora,
Muda e se anima, vive e se transforma.
Cambaleia e se esvai...
E da sala na mágica penumbra
Um mundo em trevas rápido se obumbra...
E outro das trevas sai...

Noturno - Antero de Quental

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!

Glória Morta - Dante Milano

Tanto rumor de falsa glória,
Só o silêncio é musical,
Só o silêncio,
A grave solidão individual,
O exílio em si mesmo,
O sonho que não está em parte alguma.
De tão lúcido, sinto-me irreal.

Testamento - Manuel Bandeira

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros - perdi-os...
Tive amores - esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

Winternight (tradução)Visions Of Atlantis


Gritos cheios de lamentos estão em minha mente

Nesta noite tempestuosa de inverno

Pinto uma sombra em meu coração

Uma nuvem negra de chuva sobre mim


Veja, esta sou eu, nenhum prazer de se ver

A nuvem escura ainda está me rodeando

Assustada, por ser uma forma diferente de mim mesma

E a tempestade furiosa, sem parar

Fria noite de inverno – sem saída da escuridão

Ninguém para me levar de volta

Ao lugar a que eu pertenço


Tentei respirar em raios de luz

Eu não posso estar sem minha noite de inverno


Veja, esta sou eu, nenhum prazer de se ver

A nuvem escura ainda está me rodeando

Assustada, por ser uma forma diferente de mim mesma

E a tempestade furiosa, sem parar

Fria noite de inverno – sem saída da escuridão

Ninguém para me levar de volta

Ao lugar a que eu pertenço


Segredos descobertos nunca serão encontrados

Sem renascimento, sem arrependimentos, sem ninguém para abraçar


Fria noite de inverno – sem saída da escuridão

Ninguém para me levar de volta

Ao lugar a que eu pertenço

Segredos descobertos nunca serão encontrados

Sem renascimento, sem arrependimentos, sem ninguém para abraçar

Xandria - Answer (tradução)

Nós lutamos pela verdade
Por tanto tempo quanto vivemos nosso amor
Temendo todas as soluções que nós encontramos
Nos afogamos
No lago de lágrimas que criamos
Até nós descobrirmos que era o amor,
era ele que estava em pedaços
Me chame de tola, mas eu não sou
Nosso amor mudou - e o amor me mudou
Eu fiquei esperando pela sua resposta
Então eu descobri que a resposta era você
Não mais enigmas sobre meus desejos
Agora eu sei que a resposta era você
Eu gostaria de lhe agradecer, meu criador
Eu ainda não viveria minha vida sem você
Me chame de tola, mas eu não sou
Nosso amor me mudou - e o amor mudou nós dois

Agua de Annique - Asleep (tradução)

Venha, meu amor
Diga-me, e eu irei com você
Para todos esses lugares adoráveis
E eu vou acreditar em você
Quando você estiver adormecido

Bittersweet(tradução) - HIM/Apocalyptica/The Rasmus



Eu estou passando por cima do fantasma do amor
Dentro das sombras da devoção
Ela é a única que adoro
Crença do meu silencio sufocado
Quebre esse período de doce e amargo em mim
Perdido nos braços do destino
[Doce amargo]
Eu não quero desistir
Eu estou possuído por ela
Eu sou sua cruz
Ela cruzou meu caminho
Quebre esse período de doce e amargo em mim
Perdido nos braços do destino
Doce amargo
Eu quero você
[Eu quero somente você]
E eu preciso de você
[Eu estou precisando de você]
Quebre esse período de doce e amargo em mim
Perdido nos braços do destino
Quebre esse período de doce e amargo em mim
Perdido nos braços do destino
Doce amargo

Monsoon (tradução) TokioHotel

Estou encarando uma porta quebrada
Não resta nada aqui
O meu quarto está frio
Está me deixando louco
Esperei aqui tanto tempo
Mas agora o momento parece que vem
Eu vejo as nuvens escuras se aproximarem de novo
Correndo através da monção
Além do mundo
No fim do tempo
Onde a chuva não machuca
Combatendo a tempestade
Dentro do azul
E quando me perco, penso em você
Juntos vamos percorrer algo novo.
Através da monção
Só eu e você
A meia-lua se desvanece da minha vista
Eu vejo sua imagem nesta luz
Mas agora desapareceu e me deixou sozinho
Eu sei, eu tenho que te encontrar agora
Posso ouvir o teu nome, não sei como
Porque não podemos fazer desta escuridão, a nossa casa?
Correndo através da monção
Além do mundo
No fim do tempo
Onde a chuva não machuca
Combatendo a tempestade
Dentro do azul
E quando me perco, penso em você
Juntos vamos percorrer algo novo
E nada pode me segurar de volta pra você
Através da monção
Hey! Hey!
Eu combato todo esse poder
Vindo na minha direção
Me manda diretamente pra você
Eu vou correr dia e noite
Vou estar com você em breve
Só eu e você
Vamos estar lá em breve
Em breve
Correndo através da monção
Além do mundo
No fim do tempo
Onde a chuva não machuca
Combatendo a tempestade
Dentro do azul
E quando me perco, penso em você
Juntos vamos percorrer algo novo
E nada pode me segurar de volta pra você
Através da monção
Através da monção
Só eu e você
Através da monção
Só eu e você

Coldplay - White Shadows (tradução)

Quando eu era um garoto novo, eu tentei escutar
E eu quero me sentir daquele jeito
Pequenas sombras brancas piscam e você as perde
Parte de um sistema, eu sou.

Se você sempre sente que algo está faltando
Coisas que você nunca entenderá
Pequenas sombras brancas brilham e cintilam
Parte do sistema, um plano

Todo esse barulho, eu estou acordando
Todo esse espaço eu estou tomando
Todo esse som está quebrando

Talvez você consiga o que sempre quis
Talvez você tropece nisso
Tudo que você sempre quis
Em um estado permanente

Talvez você saiba quando vir
Talvez se você disser, realmente tenha a intenção
E quando encontrar, você guardará isso
Em um estado permanente, um estado permanente

Quando eu era um garoto novo, eu tentei escutar
Você não quer sentir que
Você é parte da raça humana
Todas as estrelas e o espaço sideral

Parte do sistema de novo
Todo esse barulho, eu estou acordando
Todo esse espaço eu estou tomando
Eu não posso ouvir, você está quebrando

Talvez você consiga o que sempre quis
Talvez você tropece nisso
Tudo que você sempre quis
Em um estado permanente
Talvez você saiba quando vir
Talvez se você disser, realmente tenha a intenção
E quando encontrar, você guardará isso
Em um estado permanente, um estado permanente

Nadando contra um mar de rostos
A maré das raças humanas
Uma resposta agora é o que preciso
Veja isso em um novo nascer do sol e
Veja isso surgindo no seu horizonte

Venha, amor
Fique comigo

Beirut - Brazil (Tradução)

Brasil, em qual coração se entreter junho
Nós ficamos sobre uma lua nascente
E suavemente murmurarei algum breve dia
Nos beijamos e estamos abraçados juntos

Então, O amanhã sera outro dia
A Madrugada percorreu um longo caminho
Ainda tenho um milhão de coisas pra falar
Agora, quando o crepúsculo escurecer acima do céu
Recordarei nossas emoções de amor
De uma coisa eu estou certo
Vou voltar para o velho Brasil

Então,
O amanhã será outro dia
A Madrugada percorreu um longo caminho
Ainda tenho um milhão de coisas pra falar
Agora, quando o crepúsculo escurecer acima do céu
Recordarei nossas emoções de amor
De uma cosa eu estou certo
Vou voltar para o velho Brasil
Aquele velho BrasilCara,
Este é o velho Brasil
Brasil, Brasil

Ferreira Gullar - No mundo há muitas armadilhas

No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha
Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)
No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo,
já que a vida é louca?
Contudo, olhas o teu filho,
o bichinho que não sabe
que afoito se entranha à vida e quer
a vida
e busca o sol,
a bola,
fascinado vê
o avião e indaga e indaga
A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.
Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vaiste matar
e agüentarás até o fim.
O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje
A estrela mente
o mar sofisma.
De fato,o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fomee precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo
e é preciso quebrá-las.

Regras de Vida – por Olívia Joules

01.Nunca entre em pânico.Pare, respire, pense.
02. Ninguém está pensando em você. Eles estão pensando em si mesmos, assim como você.
03.Nunca mude o corte ou a cor dos cabelos antes de um acontecimento importante.
04.Nada é tão ruim nem tão bom quanto parece.
05.Faça o que deseja que lhe façam, isto é, não matarás.
06.É melhor comprar algo caro que você realmente goste do que varias coisas baratas que você gosta só um pouco.
07.Praticamente nada importa: se você se chatear, pergunte-se: "Isso realmente importa?".
08.A chave do sucesso está em como você se levanta do fracasso.
09.Seja honesta e gentil.
10.Só compre roupas que façam você sentir vontade de dançar um pouco.
11.Confie no seus instintos, e não em sua imaginação hiper-ativa.
12.Quando estiver assolada pelo desastre, verifique se é realmente um desastre fazendo o seguinte:
pense: "Ah, foda-se".
Olhe o lado bom e, se não der certo, olhe o lado engraçado.
Se nenhuma das duas coisas der certo, talvez seja um desastre, então passe para os itens 1 e 5.
13.Não espere que o mundo seja seguro ou que a vida seja justa.
14.Às vezes você tem simplesmente de seguir a corrente.
15.Se você começar a se arrepender de alguma coisa e pensar: "eu deveria ter feito..."sempre acrescente: "mas aí eu poderia ter sido atropelada por um caminhão ou explodida por um torpedo japonÊs tripulado".



A imaginação hiperativa de Olivia Joules - Helen Fielding

Sou o que quero ser...CLARICE LISPECTOR

Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos

Balada do Louco - Os mutantes

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

Coldplay - Daylight (tradução)

Para minha surpresa, e meu prazer
Eu vi o nascer do Sol, eu vi a luz do dia
Eu não sou nada na escuridão
E as nuvens se abrem para mostrar a luz do dia

Ooh, e o Sol brilhará, nesse meu coração
Ooh e eu percebo, sem quem não poderia viver
Ooh sem o que não sou nada

No topo de um morro, sobre um arranha-céu
Como o primeiro filho
Em completa inclinação, em um vôo completo
Derrote a escuridão, trazendo a luz do dia

Ooh, e o Sol brilhará, nesse meu coração
Ooh e eu percebo, sem quem não poderia viver
Ooh sem o que não sou nadaLuz do dia
Lentamente surgindo, a luz do dia

POEMA PARA SER TRANSFIGURADO - Chacal

quem somos
o que queremos
logo logo saberemos

por enquanto
sabemos
que um gesto
uma palavra
podem transformar o mundo

qual deles
qual delas
saberemos já já

essa a missão do artista:
experimentar

por isso somos preciso
por dar nossas vidas
pelo que — ainda não — é
pelo que — quem sabe — será

o que somoso que queremos
saberemos juntos
já já

domingo, 21 de dezembro de 2008

Kahlil Gibran - Loucura

Tu me perguntas como me tornei um louco.
Foi assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras haviam sido roubadas: as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas.
Corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões. Malditos ladrões!"
Homens e mulheres riam de mim e alguns corriam com medo para suas casas.
Quando cheguei à praça do mercado, um menino trepado no telhado de uma casa gritou:
"Você é um louco!"
Olhei para cima para vê-lo.
O sol brilhou pela primeira vez em meu rosto descoberto.
Pela primeira vez o sol beijava meu rosto nu, e minha alma se encheu de amor pelo sol, e nunca mais desejei usar máscaras.
Assim me tornei um louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha própria loucura.
A liberdade da solitude e a segurança de não ser compreendido.
Pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Ferreira Gullar - Dois e dois: quatro


Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdae pequena

Como teus olhos são claros
e tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena

e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.

Sêneca - Ser Livre

Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos,
porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco,
não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões,
mas elas não conseguem nada, não sentem nada,
não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas,
privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!

Tua caminhada ainda não terminou - Chaplin


A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida
necessita de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

Novo horizonte, minha estrada para o Sol


Niterói, dezembro de 2008


Totalmente sozinha
Coração bate acelerado
Caminho por esse Mundo
Que ainda não é meu

Ando por essas ruas
Que pouco conheço
Deixando para atrás
As sombras do passado

Eu sei onde estou
Mas não sei para onde vou
Estou aqui, e estando aqui
Faço meu Destino.

Esse chão, meu mundo novo
Essas ruas ainda desconhecidas
O caminho dos meus sonhos
Minha estrada para o Sol.


J.A.Cabral 12/08

Dá-me a tua mão - Clarice Lispector

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir -
nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio
e nesse silêncio profundo se esconde
minha imensa vontade de gritar

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Kahlil Gibran - Sou um estrangeiro nesse mundo

Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e asonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.
Sou um estrangeiro para meus parentes e amigos. Quando encontro um deles, penso:"Quem é ele? Onde o encontrei? Que me une a ele? Por que me aproximo dele e o freqüento?"
Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outroEu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.
Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejono meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.
Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem, gritando: "Eis o cego,demos-lhe um cajado que o ajude." Fujo deles. Mas encontro outro grupo de raparigas que me seguram pelas abas da roupa, dizendo: "É surdo como uma pedra. Enchamos seus ouvidos com canções de amor e desejo." Deixo-as, correndo. Depois, encontro um grupo de homens que me cercam, dizendo: "É mudo como um túmulo, vamos endireitar-lhe a língua." Fujo deles com medo. E encontro um grupo de velhos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo: "É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros."
Sou um estrangeiro, e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minhaterra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim.
Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro, freqüentado por cobras einsetos. Se sair à luz, a sombra do meu corpo me segue, e as sombras de minha alma maprecedem, levando-me aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando algo que não entendo. E quando chega a noite, volta para casa e deito-me numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.
Idéias estranhas atormentam minha mente, e inclinações diversas, perturbadoras,alegres, dolorosas, agradáveis. À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos. E almas de nações esquecidas me fitam. Interrogo-as, recebendo por toda a resposta um sorriso. Quando procuro segura-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.
Sou um estrangeiro neste mundo. Sou um estrangeiro, e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma da minha alma.
Caminho pela selva inabitada, e vejo os rios correrem e subirem do fundo do vale aocume da montanha. E vejo as árvores desnudas se cobrirem de folhas, e florirem, e frutificarem, e perderem suas folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e se transformam em cobras pintalgadas.
E as aves do céu voam, pousam, cantam gorjeiam e depois param, abrem as asas eviram mulheres nuas, de cabelo solto e pescoços esticados. E olham para mim comsensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos irônicos.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em verso, e em versos o que a vidapõe em prosa. Por isto, permanecerei um estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria...

Cecília Meireles - Canção Excêntrica

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:

- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

O HOMEM E O MAR - Baudelaire

Homem liberto, hás de estar sempre aos pés do mar!
O mar é teu espelho; a tua alma aprecias
No infinito ir e vir de suas ondas frias,
E nem teu ser é menos acre ao se abismar.

Apraz-te mergulhar bem fundo em tua imagem;
Em teus braços a estreitas, e teu coração
Às vezes se distrai na própria pulsação
Ao rumor dessa queixa indômita e selvagem.

Sois todos esses deuses turvos e discretos:
Homem, ninguém sondou-te as furnas mais estranhas;
Ó mar, ninguém tocou-te as íntimas entranhas,
Tão ciumento que sois de vossos bens secretos!

E todavia há séculos inumeráveis
Combatíeis sem nenhum remorso nem piedade,
Tamanho amor guardais à morte e à crueldade,
Ó meus irmãos, ó gladiadores implacáveis!

Estrelas em chamas

Os cabelos balançavam ao vento
A noite estrelada, entrelaçava o brilho
de seus olhos, suas lembranças...

Obeservava o tempo, sem saber
que este também a observava...
sem piedade...

Tinha os olhos cor de fogo
um calor vivo, chamas ardentes,
de seu coração silenciado pelo escuro...

Não ter medo para conseguir,
para poder voar mais uma vez
agora, totalmente sozinha...

Suas asas de anjo, cor de oceano,
lentamente abertas, a brisa noturna,
Estrelas em chamas, e olhos faiscando...

Estrelas brilhantes em seus cabelos
Negros como o abismo no qual caia
enquanto su'alma para o céu  subia.

J.A.Cabral 12/08

Sem Título - Corny Chang


Eu sigo o meu rumo;
Em busca de não sei o que;
vejo as coisas se apagando;
Atrás de mim.

Busco luzes que não vejo
Luzes que espantam a escuridão daqui;
Luzes que me fazem sobreviver um pouco mais
Só preciso de uma luz no meu caminho

Oh, Sol, me ilumine por mais um dia;
Abra os meus olhos para a verdade
Não quero morrer assim
Só quero terminar meu destino

Minha vida segue um rumo secreto
Destinada pelas estrelas dos seus olhos
Que me vigiam inconstantemente
E me protegem do meu próprio mal

Aonde será que o meu destino se chocou?
Para ferir profundamente minha alma
Que deixou cair meu coração
No meio das cinzas do meu ódio?

O meu caminho, já vejo o fim
Minha mãos ficam geladas
Sinto que ele me chama
Descanso eterno, minha vida está no fim.

Depois do Sol... Cecília Meireles

Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério...

Tudo imóvel... Serenidades...
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!

Oh! Paisagens minhas de antanho...
Velhas, velhas... Nem vivem mais...
- As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho...

Seres e coisas vão-se embora...
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora

Pelos silêncios a sonhar...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lunatica - Fable Of Dreams (tradução)

Às vezes no céu uma fábula nasce.
Ninguém sabe de aonde vem.
Dá-nos a força e nos diz do amor.
E todos nós somos tocados em nosso corações.
Pode enriquecer-nos ou puxar-nos para baixo tão longe.
Mas a vida não é sempre preta e branca.

Deixa-me acreditar, deixa meus olhos verem.
Cada dia, uma página nova é escrita, eu sei.
conseqüentemente esta fábula, nunca terminará.
Porque é a fabula dos sonhos.

Esperança para o desespenrançoso e luz para o cego
Se nós deixarmos esta mensagem alcançar nossas mentes
Pode enriquecer-nos ou puxar-nos para baixo tão longe
E a vida pode ser mais do que preto e branco

Deixa-me acreditar, deixa meus olhos verem.
Cada dia uma página nova é escrita, eu sei.
conseqüentemente esta fábula, nunca terminará.
Porque é a fabula dos sonhos.

Mantenha a fé, ouça o chamado da fábula
A fábula dos sonhos.

Deixa-me acreditar, deixa meus olhos verem.
Cada dia uma página nova é escrita, eu sei.
conseqüentemente esta fábula, nunca terminará.
Porque é a fabula dos sonhos.

Akherousia (tradução)Draconian

Minha luz diminui lentamente
Minha esperança foi e se perdeu
Mas eu vejo as velas dos sonhos sombrios deles...

Me leve embora... daqui!
No frio do inverno eu encontrei a outra metade de mim.

Uma ametista atravessou as paredes da silenciosa
solidão
Mas nós estamos perdidos em um mundo de desespero,
Então nós vamos até o oceano;
um destino
desconhecido...

Talvez eles queiram que eu suba a bordo
Talvez eu esteja amaldiçoado para ficar aqui...
Mas talvez eles queiram que eu suba a bordo

Talvez eles juntarão todas as almas perdidas...
Talvez eles ouviram nossos lamentos tristes...
E talvez eles queiram que nós subamos a bordo

O AZAR - Baudelaire

Castigo assim tornar tão leve
Somente a Sísifo se cobra!
Por mais que mão se ponha à obra,
A Arte é longo e o Tempo é breve.

Longe dos túmulos famosos,
Num cemitério já sepulto,
Meu coração, tambor oculto,
Percute acordes dolorosos.

- Muito ouro ali jaz sono
lentoem meio à treva e ao esquecimento,
esquivo à sonda e ao enxadão;

E muita flor exala a medo
Seu perfume como um segredo
Na mais profunda solidão.

Invisible Wounds (Dark Bodies) (tradução)Fear Factory

Corpos escuros flutuando na escuridão
Sem sinal de que algum dia houve luz
Aprisionados em um mundo sem uma memória
Inconsciente ou estou consciente?
Cortado do coração de que sou parte
Às vezes eu sinto, no entanto, como se estivesse congelado no Paraíso

E eu vi meu próprio rosto no escuro e solidão
E eu vi meu próprio rosto como uma faísca congelada no Paraíso

Em sonhos eu me vejo voando
Mais perto do sol e eu estou escalando
Tentei tocar o sol
Mas a claridade queimou meus olhos
Inconsciente ou estou consciente?
Caí do céu como uma estrela
Às vezes eu sinto, no entanto, como se estivesse congelado no Paraíso

E eu vi meu próprio rosto no escuro e solidão
E eu vi meu próprio rosto como uma faísca

Escuro! Escuro! Escuro!Minha vida estava tão escura!
Escura! Escura!Minha mente estava tão escura!
Escura! Escura!Minha vida estava tão escura!
Escura! Escura!Tudo estava! (escuro)

Inconsciente ou estou consciente?
Caí do céu como uma estrela
Às vezes eu sinto, no entanto, como se estivesse congelado no Paraíso

E eu vi meu próprio rosto no escuro e solidão
E eu vi meu próprio rosto como uma faísca congelada no Paraíso

Corpos escuros flutuando na escuridão! (7x)

Álvares de Azevedo - Soneto da dor

Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flores!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...
Sem que última esperança me conforte,
Eu — que outrora vivia! — eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!

The Dark Kiss Of My Angel (tradução)Macbeth

Chore comigo neste melancólico silêncio
e tome-me em seus braços.
Deixe seus dedos acariciarem
minha pele de mármore
e seu rosto acompanhar
meu último suspiro.
A sombra do pecado
tem obscurecido minha alma,
Águas profundamente geladas tocaram
meu corpo como agulhas.
Meus olhos irão vera escuridão da Perdição,
onde as minhas lembranças
irão cair e ser esquecidas.
O calor dos mortaisnão habita aqui,
neste corpo congelado
pelo beijo da morte.
Lírios não maculados pelo sangue impuro
mintam sobre o tumúlo da inocência.
E agora você pode
sentir minha alma estremecer
e um longo e doce arrepio
correndo por minha pele.
Você irá segurar minhas mão nas suas
e eu irei seguir você
nessa misteriosa viagem.
Solidão, através da barreira
do desconhecido,penetra meu interior sangrento.
A Pureza morreu comigo
e as suas lágrimas irão lavar
o sangue pecaminoso embora.

Rosas de Sal

Salinidade dos sonhos de outrora
torna a permear meus pensamentos
desfaz-se o medo, porém a dor aflora
Por recobrar estes sórdidos momentos

A Rosa das trevas, d'um pesadelo desconexo,
trouxestes tu, num ardor nefasto, inepto.
Tu - apenas tu - maldito trovador intrépido,
enxergastes, entre sombras, meu ser complexo!

Morastes no inóspito deserto de meu ser,
Fincaste ali tua flâmula, e um castelo erguiu
Pôde assim, com minha força, crescer,
E logo em seguida - sem piedade - me destruiu!

E eu, na mediocridade dos tempos de agora,
torno a queimar - até o pó - meus pensamentos.
Abandonado o amor, e a ilusão de outrora,
Como tuas rosas de sal, perco-me no além-tempo.

J.A.Cabral 11/08

domingo, 7 de dezembro de 2008

Lunatica - The Neverending Story (tradução)


Vagando por aqui, eu desejo estar perto de você.
Céus , me ajude, eu estou sozinha.
Eu sinto você, em meu coração, nunca me deixe
Onde eu posso encontra-lo, guardião do amor?

Sinta como o céu, o que nos dividiu?
Uma harmonia perfeita, apenas como um sonho.
Volta meu coração! eu sinto tanto frio nesta escuridão.
agora eu sei que você foi enviado do céu

Eu era sua rainha, você me carregou.
Através do desespero mais profundo, você me salvou.
Volte para mim e você verá
O dia chuvoso virará dia luminoso.

Você pode liberta-los.
Você lançou esse feitiço sobre meus sentidos.
E eu quero saber como pode vir tão rapido.
Sem você eu não sou ninguém, oh você poderia me deter

Uma vez que novamente, a chama seria renovada.
Eu era sua rainha, você me carregou.
Através do desespero mais profundo, você me salvou.
Volte para mim e você verá
O dia chuvoso virará dia luminoso.
Você pode liberta-los.

Always & Forever (Tradução) Krypteria

O sol nascerá de novo?
A manhã chegará?
Haverá outro dia
Antes de nos desfazermos?
Nós navegaremos de novo
Ou essa é á nossa última vez em pé?
O amanhã sorrirá em nós
Ou nós alcançamos o fim?

Quem sabe?
Mas disso é o que tenho certeza
Eles não podem tirar de mim
Minhas lembranças de você viverão

Agora e para sempre
Agora e para sempre
Sempre

A lua brilhará em nós?
Ela será nosso guia?
Nós encontraremos um modo de diminuir
O fluxo de areia do tempo?
Nós veremos a luz do dia
Ou nós devemos dizer adeus?
O amanhã sorrirá em nós
Ou nós estamos destinamos a falhar?

Quem sabe?
Mas disso é o que tenho certeza
Eles não podem tirar de mim
Minhas lembranças de você viverão

Agora e para sempre
Agora e para sempre
Sempre

sábado, 29 de novembro de 2008

Clarice Lispector - Água Viva (frag)

Que o Deus venha: por favor. Mesmo que eu não mereça. Venha. Ou talvez os que menos merecem mais precisem. Sou inquieta e áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor. Às vezes me arranha como se fossem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e no entanto continuo inquieta é porque preciso que o Deus venha. Venha antes que seja tarde demais. Corro perigo como toda pessoa que vive. E a única coisa que me espera é exatamente o inesperado. Mas sei que terei paz antes da morte e que experimentarei um dia o delicado da vida. Perceberei — assim como se come e se vive o gosto da comida.

Voice

Olhe para mim, através do espelho
Eu estarei lá, junto a sua dor
Eu estarei onde você não pode tocar
Mas presente eu estarei.

Em todos esses anos em sombria solidão
A voz que canta em seus sonhos
Os passos não medidos da nossa distância
Apenas, sinta-me, profundamente em seu coração.

Olhe para mim, através da luz
Eu estou aqui, sou os versos dessa canção
Eu estarei onde você não pode ver
Eu estarei para sempre junto a você

Em todos esses anos em sombria solidão
Sou eu, a voz que canta em seus sonhos
Olhe para mim, através do mundo em seus olhos
Acredite e eu serei, a voz a guiar seu coração.

J.A.Cabral 01/08

NADA MAIS IMPORTA - Ruanitas

Já revirei minhas memórias
Já te contei minhas histórias
Coisas que eu nunca disse antes
Hoje estão ao seu alcance

Não tem mais nada pra dizer agora
Vem comigo não não vá embora
Eu tenho tempo e essa noite é nossa
Não tenho pressa nada mais importa

Quero você pra mim
Quero tentar viver feliz
Quero você pra mim
Quero tentar viver feliz...feliz...feliz...

Bem que tentei ficar na minha
E dessa forma eu me escondia
Fiz da guitarra minha amiga
Mas não saí da sua vida

Não tem mais nada pra dizer agora
Vem comigo não não vá embora
Eu tenho tempo e essa noite é nossa
Não tenho pressa nada mais importa

Quero você pra mim
Quero tentar viver feliz
Quero você pra mim
Quero tentar viver feliz...feliz...feliz...

Soneto a quatro-mãos - Vinicius de Moraes

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Pablo Neruda - Quero apenas cinco coisas..

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Forget

Silencio meu coração
na esperança de ouvir tua voz
mas já não consigo
já não lembro de teu rosto
agora já não lembro
do teu doce sorriso
acredite, eu tentei
tentei com todas minhas forças
lutar para não perder
esse amor, tão puro, e secreto
mas o tempo é cruel
e sem piedade leva de mim
todas as lembranças felizes
que eram nossas, que eram suas
agora já não sei mais
se voltarei a ver te
mas na esperança eu continuo
na eternidade te espero
mas agora preciso ficar aqui
só, com meu coração silenciado.

J.A.Cabral 11/08

Ao amor distante

Tenho por ti um grande apreço.
Sentimento de amor e pensamento embalado pela distância
e pelo tempo que desejo e quero, no mais puro do meu ser.
Hoje envio-lhe estas palavras,
que tentam inutilmente verbalizar o que sinto,
mas como sei que elas nunca o conseguirão
ofereço-te, doce vampiro, meu enegrecido coração.
O momento nos aproximará e ditará para ambos
o quanto a vida é doce e bela.
E então, a distância que nos separa agora
será apenas uma palavra sem importância.

11/08 J.A.Cabral

Lacuna Coil - Aeon (tradução)

Existe algo em seus olhos
fazendo-os transbordar
roubando toda a harmonia
que vive em mim

suas mãos
estão cobrindo minhas lágrimas
oh,porque

Existe um tipo de dança íntima
tentando me seduzir
sentindo esta anomalia
que me domina

Seu toque
Seu coração

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ária do Arcano

Ao poeta foi reservado o incerto,
Desde a aurora do porvir ao seu crepúsculo.
E na fugacidade indizível do deserto,
Encontra a Borboleta já morta em seu casulo.

No sonho recria males,e semeia poesia no vento
Tudo para alcançar a Verdade, tocá-la de perto
Não desiste, e não conseguir é seu maior tormento
E segue então, olhos tão vagos, porém, despertos.

Volta, enfim, a face aos tempos encantados
Bem longe da vida - cruel turbilhão estéril,
Do sabor salino do amor - já desamado.
E, sem mais sonhar, retorna a terra do Mistério.

J.A.Cabral 11/08

domingo, 2 de novembro de 2008

Fernando Pessoa - Fresta


Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.


2.2.1934

A Sociedade dos Poetas Mortos

Fui à floresta, porque queria viver profundamente... e sugar a essência da vida! Eliminar tudo o que não era vida... E não, ao morrer, descobrir, que eu não vivi. -

Henry David Thoreau


Venham amigos, não é tarde demais para procurar um novo mundo,
pois eu existo para velejar muito além do pôr-do-sol. Embora
não tenhamos a força que antigamente movia céu e terra, o que
nós somos, somos. Um bom caráter e corações heróicos
enfraquecidos pelo tempo, mas fortes na vontade de lutar,
procurar, achar e não ceder.

Tennyson

Cazuza - Vida Louca Vida

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve

Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa
você logo acha 'Eu to carente''
Eu sou manchete popular
'Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar

Se ninguém olha quando você passa
você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual

Se niguém olha quando você passa
você logo diz 'Palhaço
'Você acha que não tá legal
Corre todos os perigos, perde os sentidos
Você passa mal

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa
você logo acha 'Eu tô carente''
Eu sou manchete popular
'Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice
Desta eterna falta do que falar

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Tennyson

Fútil o ganho para um rei nada útil,
na calma do lar, à beira de penhas áridas,
unido a uma idosa esposa, a impor e dispor
iníquas leis a uma raça selvagem
que come, e amealha, e dorme, e de mim nem sabe.
A mim não resta senão viajar: beberei
a vida até o fundo. Sempre desfrutei
da fartura, e com fartura sofri, junto àqueles
que me amavam com amor ímpar; e, em terra,
arrastado pela corrente, as chuvosas Híades
agitavam o lúgubre mar: ganhei nome:
para sempre vagando com coração ávido,
vi, possuí, e muito conheci; cidades de homens
e costumes, climas, conselhos, governos,
nunca com desprezo, mas honrado por todos;
e brindei o prazer da batalha com meus pares,l
ongínquo ressoar nos vales da Tróia dos ventos.
Sou parte de tudo que encontrei;
ainda que toda experiência seja um círculo
em que brilha o mundo inexplorado com margens,
que sempre se desfazem sempre que avanço.
Que triste é deter-se, chegar a um fim,
enferrujar, enrugar, não brilhar com o uso!
Assim como respirar, era a vida! Vida cheia de vida
e de tudo fica um pouco, e de tudo para mim
poucos vestígios: mas a cada hora é salvo
desse silêncio eterno, um pouco mais,
um portador de coisas novas, e vil seria
se apenas três sóis me prouvessem e amealhassem
e este espírito grisalho com ânsias
de alcançar a sabedoria como um astro que se funde
antes de irromper o último pensamento humano.
Este é meu filho, meu Telêmaco,
a quem deixo o cetro e a ilha —
meu bem-amado, capaz de consumar
este trabalho, apaziguar com mansa prudência
um rude povo, e brando, passo a passo,
submetê-lo ao que é útil e bom.
Irrepreensível ao máximo, pronto para a domínio
dos deveres públicos, decente para não fracassar
em missões delicadas, e contribuir
com a justa adoração aos deuses de minha casa
quando eu partir. Eu lido a minha; ele, a sua lida.
Ali em frente o porto; a nave infla suas velas:
ali a penumbra do vasto escuro dos mares. Meus marinheiros,
almas no duro esforço, forjam, e fazem comigo —
sempre com festivas boas-vindas tomaremos
o trono e o sol, resistindo com
livres corações, sem desfaçatez —, somos velhos.
A velhice mantém suas honras e esforços;
a morte tudo conclui: mas há algo no fim,
por fazer ainda uma tarefa nobre pode haver,
nem só homens indecorosos em luta com deuses.
Começam a piscar as luzes frente às rochas:
apaga-se o largo dia, a lenta lua sobe: em volta
o fundo gemido das múltiplas vozes. Venham,
amigos, não é tarde para buscar um novo mundo.
Desatracai e, postos em ordem, batam
os sonoros encaixes; pois é meu intento
navegar além de onde o sol se põe, e se banham
os astros ocidentais, até a morte.
Talvez aqueles vorazes golfos nos devorem,
Talvez venhamos a alcançar as Ilhas da Fortuna
e vejamos o grande Aquiles, nosso conhecido.
Ainda que muito esteja perdido, muito nos resta;
e ainda que perdida a força dos velhos dias
que movia céus e terras; somos o que somos;
uma coragem única nos corações heróicos,
débeis pelo tempo e pelo destino, mas persistente
sem lutar, achar, buscar, jamais render.

Madonna - Easy Ride (tradução)


Eu quero a vida boa

Mas eu não quero um caminho fácil

O que eu quero é trabalhar para isto

Sentir o sangue e suor na ponta dos meus dedos

É o que eu quero para mim

Eu quero saber tudo

Talvez algum dia eu consiga

O que quero é achar meu lugar

Respirar o ar e sentir o sol

no rosto dos meus filhos

Isso é o que eu quero

Eu dou voltas e voltas como em um circulo

Eu posso ver claramente a imagem

Quando eu toco o chão eu volto pro meu lugar

Para o meu lugar e estou

Em casa

Eu quero esquecer todas as decepções

É isso o que espero

O que eu quero é viver para sempre

Não está definido por tempo ou espaço

Um lugar tranqüilo

É isso o que eu quero

Eu dou voltas e voltas como em um circulo

Eu posso ver claramente a imagem

Quando eu toco o chão eu volto pro meu lugar

Para o meu lugar e estou

Em casa

Eu dou voltas e voltas como em um circulo

Eu posso ver claramente a imagem

Quando eu toco o chão eu volto pro meu lugar

Para o meu lugar e estou

Em casa

Eu dou voltas e voltas

Dou voltas e voltas

Xandria - Some Like It Cold (tradução)

Estrelas glamorosas escurecem o dia
As sombras de noite iluminam o caminho deles
A sabedoria de bobos não é fácil de aprender
Assim vá um passo à frente e dois para trás

Eu sou o senso em todas as suas lágrimas
Eu sou a razão de todos seus medos
Eu sou elogiado pela minha tristeza
Eu sou elogiado pelas minhas faltas
Eu sou elogiado pela minha loucura
Porque alguns gostam disso quente
e alguns gostam disso frio

A noite chama o pôr-do-sol para subir
Eu sou um mentiroso então cuide bem do meu conselho
A roda da fortuna sempre vai e volta
Tudo que sobe sempre tem que descer

What Have You Done(Feat. Keith Caputo) (tradução) Within Temptation


Você se importaria se eu lhe machucasse?

Entenda que eu preciso

Desejo ter outras escolhas

Do que prejudicar quem eu amo


O que você fez agora?


Eu sei, é melhor eu parar de tentar

Você sabe que não há negação

Eu não mostrarei misericórdia por você agora

Eu sei que deveria parar de acreditar

Eu sei que não há salvação

Agora acabou, o que você fez?


O que você fez agora?

Eu, Eu estive esperando por alguém como você

Mas agora você está escapulindo...

Oh, o que você fez agora?

Por que, Por que o destino nos faz sofrer?

Há uma maldição entre nós,

entre você e eu


O que você fez?

O que você fez?

O que você fez?

O que você fez?

O que você fez agora?(2x)


Você se importaria se eu lhe matasse?

Você se importaria se eu tentasse?

Porque você se tornou meu pior inimigo

Você carrega o ódio que eu não sinto

Agora acabou

O que você fez?


O que você fez agora?

Eu, Eu estive esperando por alguém como você

Mas agora você está escapulindo...

Oh, o que você fez agora?

Por que, Por que o destino nos faz sofrer?

Há uma maldição entre nós,

entre você e eu


O que você fez?

O que você fez?

O que você fez?

O que você fez?

O que você fez agora?(2x)


O que você fez agora, o que você fez?...


Eu não cairei, não deixarei isso continuar

Nós seremos livres quando isso acabar


Eu, Eu estive esperando por alguém como você

Mas agora você está escapulindo...

Oh, o que você fez agora?

Por que, Por que o destino nos faz sofrer?

Há uma maldição entre nós,

entre você e eu (2x)

A menina que nasceu Sem Olhos

Você não precisa
Trazer um sorriso
Para os lábios
De uma Criança
Que nunca conheceu
O Brilho do Sol
e a Luz do Luar
Apenas dê a Ela
Um pouco de esperança
Uma força especial
Para enfrentar
Todos os Medos.
Mostre a Ela o Mundo
Através do seu carinho
Mostrea Ela o Amor
Mesmo que para isso
Precise também
Fechar os Seus Olhos...

J.A.Cabral 10/07

Blue Light (tradução) Emilie Simon

Eu sou a lua e eu posso te dar
Tudo, se você me quiser tambem
Do céu eu sempre vejo você
Não seja cego eu ajudarei você

Eu sou a lua(no céu apenas desepejando a luz azul azul)
Eu sou a lua(no céu apenas desepejando a luz azul azul)

Quando você está para baixo
Quando você está sozinho
Quando seu amor e felicidade se forem
A luz azul zul estará aqui no fundo

A lua está com você
Eu sou a lua, Eu cuidarei de você
Apenas desepejando a luz azul
Eu cuidarei de você
Apenas despejando a luz azul

Cores

O Amor puro, Filho inocente
Venha para a Beleza, meu Anjo
Venha, sinta a chuva tocar a pele
Venha junto de mim e veja
Todas as Cores que você antes
Não poderia enxergar.

Sinta o Amor, sinta seu sangue
Nas flores primaveris
Sinta seu poder, inabalável
Nos abraços e olhares infantis
Sorrisos incandescentes de flores
Sinta-se aquecido por todas as Cores

Sem lágrimas, não há o que chorar
Não existe mais a antiga dor
Venha, sinta a chuva tocar a pele
Venha junto de mim e aceite
A promessa de um sonhador e seja
Todas as Cores que faltam no mundo.

J.A.Cabral 12/07

O Roxinol e a Rosa - Oscar Wilde



Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas - exclamou o Estudante - mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...
Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...
Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! - disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas.
- Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios
escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça da minha vida.
Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! - disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte.
Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim... e ficarei só; ela apenas passará por mim... Passará por mim... e meu coração se despedaçará.
Eis um verdadeiro apaixonado... - pensou o Rouxinol. - Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro.
Os músicos da galeria - prosseguiu o Estudante - tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela.
Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe... - e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou.
Por que está chorando? - perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado.
É mesmo! Por que será? - Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol.
Por quê? - sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.
Chora por causa de uma rosa vermelha, - informou o Rouxinol.
Por causa de uma rosa vermelha? - exclamaram - Que coisa ridícula! E o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.
Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.
Subitamente, abriu as asas pardas e voou.
Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim.
Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho.
Dá-me uma rosa vermelha - pediu - e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!
Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas.
Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol.
Dá-me uma rosa vermelha - pediu - e eu te cantarei minha canção mais linda.
A roseira sacudiu-se levemente.
Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar.
O Rouxinol então, dirigiu o vôo para a roseira que crescia sob a janela do Estudante.
Dá-me uma rosa vermelha - pediu - e eu te cantarei a mais linda de minhas canções.
A roseira sacudiu-se levemente.
Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos.
Não darei rosas este ano.
Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la?
Há, respondeu a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te.
Dize. Não tenho medo.
Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu.
A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha - exclamou o Rouxinol - e a Vida é preciosa... É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola...O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?
Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda.
O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas.
Rejubila-te - gritou-lhe o Rouxinol - Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de
música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso.
O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros.
Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.
Canta-me um derradeiro canto - segredou-lhe - sentir-me-ei tão só depois da tua partida.
Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.
Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.
Tem classe, não se pode negar - disse consigo - atravessando a alameda. Mas terá sentimento?
Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa em cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom!
Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu.
Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho.
Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou...
Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira.
Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. - Mais ainda, Rouxinol, - exigiu a Roseira, - senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.
O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher.
E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios.
Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco - pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa.
Mais ainda, Rouxinol, - clamou a Roseira - raiar o dia antes que eu finalize a rosa.
E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou.
Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo.
E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração.
Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.
Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.
Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu.
A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar.
Olha! Olha! Exclamou a Roseira. - A rosa está pronta, agora.
Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou.
Que sorte! - disse - Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la.
Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.
Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, - lembrou o Estudante. - Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje à noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.
A moça franziu a testa.
Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores...
És muito ingrata! - exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou.
Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante... não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda... - e a moça levantou-se e entrou em casa.
Que coisa imbecil, o Amor! - Resmungou o estudante, afastando-se. - Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica.
Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler...

Funeral of hearts (tradução) HIM

Amor é o funeral de corações
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar


O funeral dos corações
É uma súplica por misericórdia
Quando o amor é uma arma
Separando-me de você


Ela era o sol, logo iluminando
o túmulo das suas esperanças e sonhos tão fracos
Ele era a lua pintando-a
com sua luz tão vulnerável e pálida


Amor é o funeral de corações
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar


O funeral dos corações
e uma súplica por misericórdia
Quando o amor é uma arma
Me separando de você


Ela era o vento levando
todos os problemas e medos
que por anos você tentou esquecer
Ele era o fogo, inquieto e selvagem
E você era como uma mariposa naquela chama


O herege lacrado além do divino
uma oração para um deus que é surdo e cego
Os últimos rituais para as almas em chama
três palavrinhas e uma pergunta: POR QUÊ?


Amor é o funeral de corações
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar


O funeral dos corações
e uma súplica por misericórdia
Quando o amor é uma arma
Me separando de você

Bocage - Oh retrato da morte, oh noite amiga

Oh retrato da morte, oh noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
Des meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:

E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.

sábado, 1 de novembro de 2008

Noite das Bruxas

O traje de gala
A última valsa
A dança perfeita
No Baile das Velas
Após mil anos de espera
Iremos Começar

Acenda a fogueira
Lembremos a Tradição
O ciclo se completa
Quebremos a Maldição
Agora seremos livres
Não haverá conspiração

O brilho argênteo
Da lua no céu
As chamas vermelhas
Queimam a Terra
Quem ousará interferir
No nosso Sabbath?

Termine o Ritual esquecido
Todos os Sacrifícios oferecidos
Por nossas irmãs feiticeiras
Celebre no fogo suas memórias
Mesmo que estejam Mortas
Reviverão neste Dia Solene

Recite o Poema Secreto
O Feitiço das Mil Feras
Traga a Porção Mágica
Traga a Mandrágora Mortífera
E o Sabbath será realizado
Hoje, na Noite das Bruxas.

J.A.Cabral 10/07

domingo, 26 de outubro de 2008

A Rose for the Dead (tradução)Theatre Of Tragedy


Oh - meu amado; a doce música em meus ouvidos
De qualquer forma me desafiam a cantar uma música de ninar soturna
Meu doce Diamante
Como podes emergir de tal distância?
Vejo que é como o latejar e o ar de uma vida mecânica
Vossa alma é tão esplendorosa
"Soturna"
Com o instrumento demoníaco nós poderemos colher
Após nosso esplêndido banquete em nosso castelo
Vosso tão amado sangue que é almejado por nossas faces
"Vampiros"
Oh senhor das trevas
Oh senhora das trevas
Um ótimo funeral nos aguarda
Traremos aos deuses tristeza
Mais dois novos motivos
Para nos encatarmos
Venere o sangue que deixastes cair
Apenas conceda uma rosa para um morto!
Apenas conceda uma rosa para um morto!
Transformado pela eterna beleza das esferas negras
Nós dois habitamos no tempo em que o relógio nos mostra
Faça desta festa vossa felicidade
Mas somente até que novo amanhecer começe...
Transforme-se em nossa isca noturna
Em cada fardo situado em vossas sombra
Roupas para a noite, nunca me senti melhor
Em seu rosto vejo o nada, somente o vazio

Aquém da morte

E um dia acordou
Decidida a correr o mundo
Arrancou suas asas e em passos largos
Jogou-se no abismo do Destino

Fez seu caminho entre a luz e o caos
Fez seu luar nascer das cinzas
Trocou a loucura do passado pelo presente,
a inconstância do agora pelo que é para sempre

Caminhou em águas profundas
Navegou em desertos gelados
Tudo por um Fim único
Revelar o que é mais sagrado

Além da distância mais longa ela foi
Além dos labirintos encantados
Um mundo novo surgiu diante de sua fronte
Mostrou-se a si, segredo tão bem guardado

E quando parou de correr e caçar pelos Mundos
Guardou suas armas,já não mais se enganaria
Enfim, aprendeu que todas as respostas
Em seu coração, aquém da morte, encontraria.

J.A.Cabral 10/08

domingo, 19 de outubro de 2008

'Til We Die - Slipknot

Our friends
Are all hurting
From moments a
And regrets
And charity
Laced with a lie
Still we keep hoping
To fix all the defects
And strengthen
These seminal times
We go on together
For better or worse
Our history
Is to real to hate
Now and forever
We stay until morning
And promise to fight
For our fate

Til we die
Til we die

The start of a journey
Is every bit worth it
I can't let you
Down anymore
The sky
Is still clearing
We're never afraid
And the consequences
Opens the door
I never stopped trying
I never stopped
Feeling like family
Is much more than blood
Don't go on without me
The piece
That I represent
Compliments each
And everyone

Til we die
Til we die

We won't be forgotten
We'll never give in
This war we've achieved
Has allowed us to win

Til we die
Til we die

My last true confession
Will open your eyes
I've never known
Trust like the nine
Let it be spoken
Let it be screamed
They'll never ever
Take us alive

Til we die
Til we die

We won't be forgotten
We'll never give in
This war we've achieved
Has allowed us to win

Carry on
Carry on

(We'll never be broken
We won't be denied)
(Our war is the presentWe need to unite)
(We'll never be brokenWe wont be denied)
(Our war is the presentWe need to unite)

Til we die
Til we die

We won't be forgotten
We'll never give in.
This war we've achieved
Has allowed us to win

Carry on
Carry on

We'll never be broken
We won't be denied
Our war is the present
We need to unite

Til we die
Til We die

We won't be forgotten
We'll never give in
This war we've achieved
Has allowed us to win

Carry on
Carry on

We'll never be broken
We won't be denied
Our war is the present
We need to unite

'Til We Die (tradução)Slipknot

Os nossos amigos
Estão todos machucados
De uns momentos
E lamentam
E caridadecem
Atados com uma mentira
Ainda continuamos esperando
Para fixar todos os defeitos
E reforçar
Estes tempos seminais
Nós vamos juntos
Por bem ou por mal
Nossa história
É tão real para odiar
Agora e sempre
Nós ficamos até amanhecer
E prometemos lutar
Por nosso destino

Até nós morrermos
Até nós morrermos

O início de uma viagem
E tudo pouco vale a pena pois
Eu não consigo deixar você
Cair a qualquer vez
O céu
É ainda aclarante
Nós nunca fomos receosos
E as consequências
Abre-se a porta
Eu nunca parei de tentar
Eu nunca parei
Sentindo-se em família
É muito mais que sangue
Não se vá sem mim
O pedaço
Em que eu represento
Cumprimentos para
E cada umAté nós morrermos
Até nós morrermos
Eles não vão ser esquecidos
Bem, que nunca irão ceder
Nesta guerra conseguida por
Ter alcançado nos permitiu ganhar

Até nós morrermos
Até nós morrermos

A minha última verdadeira confissão
Irá abrir seus olhos
Eu nunca soube como
Confiança igual aos nove
Deixe que isto seja falado
Deixe que isto seja gritado
Eles para nunca e jamais
Nos pegarão vivos

Até nós morrermos
Até nós morrermos

Eles não vão ser esquecidos
Bem, que nunca irão ceder
Nesta guerra conseguida por
Ter alcançado nos permitiu ganhar

Continue continue
(Nós nunca seremos quebrados não nos negarão)
(Nossa guerra é o presente que nós precisamos unir)
(Nós nunca seremos quebrados não seremos negados)
(Nossa guerra é o presente que nós precisamos unir)

Até nós morrermos
Até nós morrermos

Eles não vão ser esquecidos
Bem, que nunca irão ceder
Nesta guerra conseguida por
Ter alcançado nos permitiu ganhar

Continue continue

Nós nunca seremos quebrados
Não seremos negados
Nossa guerra é o presente
Que nós precisamos unir

Até nós morrermos
Até nós morrermos

Eles não vão ser esquecidos
Que jamais irão ceder
Nesta guerra conseguida por
Ter alcançado nos permitiu ganhar

Até nós morrermos
Até nós morrermos

Nós nunca seremos quebrados
Não seremos negados
Nossa guerra é o presente
Que nós precisamos unir