O Amor puro, Filho inocente
Venha para a Beleza, meu Anjo
Venha, sinta a chuva tocar a pele
Venha junto de mim e veja
Todas as Cores que você antes
Não poderia enxergar.
Sinta o Amor, sinta seu sangue
Nas flores primaveris
Sinta seu poder, inabalável
Nos abraços e olhares infantis
Sorrisos incandescentes de flores
Sinta-se aquecido por todas as Cores
Sem lágrimas, não há o que chorar
Não existe mais a antiga dor
Venha, sinta a chuva tocar a pele
Venha junto de mim e aceite
A promessa de um sonhador e seja
Todas as Cores que faltam no mundo.
J.A.Cabral 12/07
domingo, 2 de novembro de 2008
O Roxinol e a Rosa - Oscar Wilde

Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas - exclamou o Estudante - mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...
Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...
Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! - disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas.
- Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios
escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça da minha vida.
Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! - disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte.
Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim... e ficarei só; ela apenas passará por mim... Passará por mim... e meu coração se despedaçará.
Eis um verdadeiro apaixonado... - pensou o Rouxinol. - Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro.
Os músicos da galeria - prosseguiu o Estudante - tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela.
Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe... - e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou.
Por que está chorando? - perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado.
É mesmo! Por que será? - Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol.
Por quê? - sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.
Chora por causa de uma rosa vermelha, - informou o Rouxinol.
Por causa de uma rosa vermelha? - exclamaram - Que coisa ridícula! E o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.
Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.
Subitamente, abriu as asas pardas e voou.
Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim.
Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho.
Dá-me uma rosa vermelha - pediu - e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!
Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas.
Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol.
Dá-me uma rosa vermelha - pediu - e eu te cantarei minha canção mais linda.
A roseira sacudiu-se levemente.
Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar.
O Rouxinol então, dirigiu o vôo para a roseira que crescia sob a janela do Estudante.
Dá-me uma rosa vermelha - pediu - e eu te cantarei a mais linda de minhas canções.
A roseira sacudiu-se levemente.
Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos.
Não darei rosas este ano.
Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la?
Há, respondeu a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te.
Dize. Não tenho medo.
Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu.
A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha - exclamou o Rouxinol - e a Vida é preciosa... É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola...O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?
Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda.
O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas.
Rejubila-te - gritou-lhe o Rouxinol - Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de
música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso.
O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros.
Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.
Canta-me um derradeiro canto - segredou-lhe - sentir-me-ei tão só depois da tua partida.
Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.
Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.
Tem classe, não se pode negar - disse consigo - atravessando a alameda. Mas terá sentimento?
Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa em cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom!
Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu.
Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho.
Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou...
Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira.
Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. - Mais ainda, Rouxinol, - exigiu a Roseira, - senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.
O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher.
E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios.
Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco - pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa.
Mais ainda, Rouxinol, - clamou a Roseira - raiar o dia antes que eu finalize a rosa.
E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou.
Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo.
E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração.
Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.
Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.
Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu.
A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar.
Olha! Olha! Exclamou a Roseira. - A rosa está pronta, agora.
Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou.
Que sorte! - disse - Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la.
Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.
Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, - lembrou o Estudante. - Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje à noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.
A moça franziu a testa.
Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores...
És muito ingrata! - exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou.
Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante... não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda... - e a moça levantou-se e entrou em casa.
Que coisa imbecil, o Amor! - Resmungou o estudante, afastando-se. - Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica.
Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler...
Funeral of hearts (tradução) HIM
Amor é o funeral de corações
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar
O funeral dos corações
É uma súplica por misericórdia
Quando o amor é uma arma
Separando-me de você
Ela era o sol, logo iluminando
o túmulo das suas esperanças e sonhos tão fracos
Ele era a lua pintando-a
com sua luz tão vulnerável e pálida
Amor é o funeral de corações
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar
O funeral dos corações
e uma súplica por misericórdia
Quando o amor é uma arma
Me separando de você
Ela era o vento levando
todos os problemas e medos
que por anos você tentou esquecer
Ele era o fogo, inquieto e selvagem
E você era como uma mariposa naquela chama
O herege lacrado além do divino
uma oração para um deus que é surdo e cego
Os últimos rituais para as almas em chama
três palavrinhas e uma pergunta: POR QUÊ?
Amor é o funeral de corações
E uma ode para a crueldade
Quando anjos choram sangue
sobre as flores do mal à desabrochar
O funeral dos corações
e uma súplica por misericórdia
Quando o amor é uma arma
Me separando de você

Bocage - Oh retrato da morte, oh noite amiga
Oh retrato da morte, oh noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
Des meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
sábado, 1 de novembro de 2008
Noite das Bruxas
O traje de gala
A última valsa
A dança perfeita
No Baile das Velas
Após mil anos de espera
Iremos Começar
Acenda a fogueira
Lembremos a Tradição
O ciclo se completa
Quebremos a Maldição
Agora seremos livres
Não haverá conspiração
O brilho argênteo
Da lua no céu
As chamas vermelhas
Queimam a Terra
Quem ousará interferir
No nosso Sabbath?
Termine o Ritual esquecido
Todos os Sacrifícios oferecidos
Por nossas irmãs feiticeiras
Celebre no fogo suas memórias
Mesmo que estejam Mortas
Reviverão neste Dia Solene
Recite o Poema Secreto
O Feitiço das Mil Feras
Traga a Porção Mágica
Traga a Mandrágora Mortífera
E o Sabbath será realizado
Hoje, na Noite das Bruxas.
J.A.Cabral 10/07
A última valsa
A dança perfeita
No Baile das Velas
Após mil anos de espera
Iremos Começar
Acenda a fogueira
Lembremos a Tradição
O ciclo se completa
Quebremos a Maldição
Agora seremos livres
Não haverá conspiração
O brilho argênteo
Da lua no céu
As chamas vermelhas
Queimam a Terra
Quem ousará interferir
No nosso Sabbath?
Termine o Ritual esquecido
Todos os Sacrifícios oferecidos
Por nossas irmãs feiticeiras
Celebre no fogo suas memórias
Mesmo que estejam Mortas
Reviverão neste Dia Solene
Recite o Poema Secreto
O Feitiço das Mil Feras
Traga a Porção Mágica
Traga a Mandrágora Mortífera
E o Sabbath será realizado
Hoje, na Noite das Bruxas.
J.A.Cabral 10/07
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