O que faço hoje é muito, muito melhor do que tudo quanto já fiz.
E a
paz que tenho hoje é muito, muito maior do que a paz que jamais conheci.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Charles Bukowski - APRENDE-SE
aprende-se a resistir porque não resistir
é entregar o mundo na mão deles
e eles são menos que
nada.
resistir significa simplesmente mostrar a que veio
e quanto pior a disputa
mais prazerosa é
a vitória.
dizem que você deve lutar pela sua
liberdade.
sei disso.
só que não lutei contra os japoneses, os italianos, os alemães
ou os russos
pela minha liberdade.
lutei contra os americanos: os pais, os pátios das escolas,
os patrões, as mulheres de rua, os amigos, o
próprio
sistema.
a luta, é claro, não tem fim.
novas dificuldades surgem como um trem pontual.
pode não ser mais a manhã de ressaca ou a
linha de montagem da fábrica
mas a traição, a falsidade e as falsas esperanças tomam seu
lugar.
acredito que somos testados mesmo quando
dormimos, e geralmente tudo é tão fatal
que só podemos rir.
para resistir é preciso um pouco de sorte, algum conhecimento e
um razoável senso de
humor porque os insensíveis se tornaram mais insensíveis,
os fortes mais fortes,
os que tinham coragem menos corajosos e
tudo que nos resta é
considerar o jeito
que o elefante fica em silêncio na floresta esperando pra morrer,
o jeito que o homem fracassa de novo e de novo e de novo,
o jeito que o padre esquece suas preces,
o jeito que o amor pode se tornar uma loucura,
ou o jeito que a chuva fria penetra no túmulo
de Mozart. apesar disso e
de tantas outras coisas
é que finalmente se aprende
a resistir.
é entregar o mundo na mão deles
e eles são menos que
nada.
resistir significa simplesmente mostrar a que veio
e quanto pior a disputa
mais prazerosa é
a vitória.
dizem que você deve lutar pela sua
liberdade.
sei disso.
só que não lutei contra os japoneses, os italianos, os alemães
ou os russos
pela minha liberdade.
lutei contra os americanos: os pais, os pátios das escolas,
os patrões, as mulheres de rua, os amigos, o
próprio
sistema.
a luta, é claro, não tem fim.
novas dificuldades surgem como um trem pontual.
pode não ser mais a manhã de ressaca ou a
linha de montagem da fábrica
mas a traição, a falsidade e as falsas esperanças tomam seu
lugar.
acredito que somos testados mesmo quando
dormimos, e geralmente tudo é tão fatal
que só podemos rir.
para resistir é preciso um pouco de sorte, algum conhecimento e
um razoável senso de
humor porque os insensíveis se tornaram mais insensíveis,
os fortes mais fortes,
os que tinham coragem menos corajosos e
tudo que nos resta é
considerar o jeito
que o elefante fica em silêncio na floresta esperando pra morrer,
o jeito que o homem fracassa de novo e de novo e de novo,
o jeito que o padre esquece suas preces,
o jeito que o amor pode se tornar uma loucura,
ou o jeito que a chuva fria penetra no túmulo
de Mozart. apesar disso e
de tantas outras coisas
é que finalmente se aprende
a resistir.
domingo, 6 de novembro de 2016
Haruki Murakami - Norwegian wood (frag)
Perguntei-me subitamente quantas dezenas ou centenas de domingos iguais àquele ainda se repetiriam na minha vida. “Domingos silenciosos, pacíficos e solitários”, disse em voz alta para mim mesmo. Aos domingos, eu não dava corda em mim mesmo.
domingo, 30 de outubro de 2016
Oswaldo Montenegro - Metade
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo
Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço
Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Pablo Neruda - NO HAY OLVIDO (SONATA)
| Si me preguntáis en dónde he estado debo decir "Sucede". Debo de hablar del suelo que oscurecen las piedras, del río que durando se destruye: no sé sino las cosas que los pájaros pierden, el mar dejado atrás, o mi hermana llorando. Por qué tantas regiones, por qué un día se junta con un día? Por qué una negra noche se acumula en la boca? Por qué muertos? Si me preguntáis de dónde vengo, tengo que conversar con cosas rotas, con utensilios demasiado amargos, con grandes bestias a menudo podridas y con mi acongojado corazón. No son recuerdos los que se han cruzado ni es la paloma amarillenta que duerme en el olvido, sino caras con lágrimas, dedos en la garganta, y lo que se desploma de las hojas: la oscuridad de un día transcurrido, de un día alimentado con nuestra triste sangre. He aquí violetas, golondrinas, todo cuanto nos gusta y aparece en las dulces tarjetas de larga cola por donde se pasean el tiempo y la dulzura. Pero no penetremos más allá de esos dientes, no mordamos las cáscaras que el silencio acumula, porque no sé qué contestar: hay tantos muertos, y tantos malecones que el sol rojo partía, y tantas cabezas que golpean los buques, y tantas manos que han encerrado besos, y tantas cosas que quiero olvidar. |
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