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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

domingo, 28 de abril de 2013

Saramago - Frase
















fonte: na imagem

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Saramago - aforismo

Não mudaremos a vida se não mudamos de vida. Há que perder a paciência.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Saramago - A viagem

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

quinta-feira, 22 de julho de 2010

José Saramago - in 'Os poemas possíveis'

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Saramago - Provavelmente Alegria (frag.)

Ainda agora é manhã, e já os ventos
Adormecem no céu. Pouco a pouco,
A névoa antiga e baça se levanta.
Ruivamente, o sol abre uma estrada
Na prata nublada destas águas.
É manhã, meu amor, a noite foge,
E no mel dos teus olhos escurece
O amargo das sombras e das mágoas.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Especial José Saramago

Saramago - Biografia

A literatura está de luto. Morreu na manhã desta sexta-feira, dia 18, o primeiro e único escritor de língua portuguesa laureado com o Prêmio Nobel.

Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, Golegã, no dia 16 de novembro de 1922, embora o registro oficial mencione o dia 18. Seus pais foram para Lisboa, capital de Portugal, quando ainda não tinha três anos de idade. Lá passou a maior parte de sua vida.


Antes de consolidar-se como escritor, trabalhou como serralheiro mecânico, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor e jornalista. Publicou seu primeiro livro, um romance – Terra do Pecado – , em 1947. Ficou sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista Seara Nova.

Em 1972 e 1973, fez parte da redação do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político. Coordenou, durante alguns meses, o suplemento cultural. Pertenceu a primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre abril e novembro de 1975, foi diretor-adjunto do Diário de Notícias. Desde 1976, vivia exclusivamente do trabalho literário. Foi Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e a última obra foi Caim, publicado em 2009.
Política

Crítico ferrenho do sistema capitalista, José Saramago era uma das maiores referências da esquerda mundial. Nunca escondeu que acreditava no socialismo, mas desde o início dos anos 2000 se dizia decepcionado com as experiências em curso. Amigo pessoal do presidente de Cuba, Fidel Castro, criticava as restrições à liberdade.

O estopim para o rompimento com o regime cubano foi o fuzilamento de três dissidentes, em 2003. À época, Saramago condenou a ação. “Cuba não ganhou nenhuma batalha heróica com o fuzilamento desses três homens, mas sim perdeu minha confiança, destruiu minhas esperanças e decepcionou minhas ilusões.”


Escritor português laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1998 faleceu em casa, nas Ilhas Canárias, na manhã desta sexta-feira. Última obra foi Caim, de 2009.

fonte: http://novohamburgo.org/site/noticias/cultura/2010/06/18/literatura-de-luto-jose-saramago-morre-aos-87-anos/

Saramago - Passado, Presente, Futuro


Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

Saramago - Poema à boca fechada

Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.


Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Saramago - Aforismo

"O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio."

Saramago - Outros Cadernos de Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.




Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

http://caderno.josesaramago.org/

Saramago - Retrato do Poeta Quando Jovem

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.

Saramago - citação

Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala.

Saramago - Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago (1922 - 2010)

 Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu às 12.30 horas na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.

O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.


Fundação José Saramago
18 de Junho de 2010

http://www.josesaramago.org/

domingo, 23 de maio de 2010

Saramago - Aforismo

Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela,
nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo.