segunda-feira, 30 de julho de 2012

Bernhard Schlink - O leitor (frag)

(...) Ela aceitou que seria chamada a prestar contas, só não queria ser desmascarada por causa disso. Não estava perseguindo seus interesses, mas lutando por sua verdade, sua justiça. Como sempre teve de dissimular um pouco, como nunca pode ser aberta e totalmente ela mesma, era uma verdade lamentável e uma justiça lamentável, mas eram as suas, e a luta por aquilo era a sua luta.(...)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Verlaine - A angústia

Nada em ti me comove, Natureza, nem
Faustos das madrugadas, nem campos fecundos,
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,
A solene dolência dos poentes, além.
Eu rio-me da Arte, do Homem, das canções,
Da poesia, dos templos e das espirais
Lançadas para o céu vazio plas catedrais.
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons.
Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar
Dessa velha ironia a que chamam Amor.
Já farta de existir, com medo de morrer,
Como um brigue perdido entre as ondas do mar,
A minha alma perseg
ue um naufrágio maior.

Oscar Wilde - A alma do homem sob o socialismo (frag.)

(...)Acham-se cercados dos horrores da pobreza, dos horrores da fealdade, dos horrores da fome. É inevitável que se sintam fortemente tocados por tudo isso. As emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência; e, como ressaltei há algum tempo em um ensaio sobre a função da crítica, é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a idéia. Conseqüentemente, com intenções louváveis embora mal aplicadas, atiram-se, graves e compassivos, à tarefa de remediar os males que vêem. Mas seus remédios não curam a doença: só fazem prolongá-la. De fato, seus remédios são parte da doença.
Buscam solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre; ou, segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre.
Mas isto não é uma solução: é um agravamento da dificuldade. A meta adequada é esforçar-se por reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível à pobreza. (...)




*grifos meus 

Virgínia Woolf - Os anos (frag.)

"(...)Mas como ser feliz num mundo que rebenta de miséria? Em cada cartaz de cada esquina o que se estampa é a morte; ou, pior, a tirania; a brutalidade; a tortura; a derrocada da civilização; o fim da liberdade. Nós aqui, pensou, apenas nos abrigamos debaixo de uma folha, uma folha que será destruída. E Eleanor pretende que o mundo melhorou, só porque duas pessoas, dentro todos os milhões, são "felizes".(...)Por que observo assim as menores coisas? - pensou.Mudou de posição. Por que tenho de pensar? Quisera não pensar. Quisera ter cortinas na mente, como a dos vagões-leitos de estrada de ferro, cortinas que baixam e interceptam a luz; as cortinas que a gente puxa as viagens noturnas.Quisera ter o falcão da mente encapuzado, deixar de pensar, pois pensar é um tormento, e apenas vogar, vogar à deriva e sonhar. É a miséria do mundo, pensou, que me força a pensar.(...)"