sábado, 21 de setembro de 2013

Pablo Neruda - Ja és minha

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho. 
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora. 
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas 
e junto a mim és pura como âmbar dormido... 
Nenhuma mais, amor, dormira com meus sonhos... 
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu. 
sempre viva. sempre sol... sempre lua... 
Já tuas mãos abriram os punhos delicados 
e deixaram cair suaves sinais sem rumo... 
teus olhos se fecharam como
duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água 
que levas e me leva.
A noite... o mundo... o vento enovelam seu destino, 
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Stephen Chbosky - As vantagens de ser invisível (frag)

"Então, eu acho que somos o que somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas."

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Angra - Time (tradução)

Agora eu quero saber o que a vida significa
... para vivê-la de novo
Estou aguardando ansiosamente, sinto a luz brilhar em meus olhos
E agora eu sei, meus instintos não estavam errados
E muitas coisas podem ser feitas
Eu não acredito agora
Que estou sonhando sozinho


Oh, estamos procurando pelo amor
que todos tem, mas não podem ver
Oh, além da carne e do sangue
há muito escondido atrás
como muito mais que teremos de dar


Sanidade traz a tristeza
que mantém suas ilusões trancadas em uma pequena caixa
Vem o medo, você se encontra sozinho
em uma jaula de conclusões lotando sua mente
Você se senta arqueando a cabeça
Toda resposta - sim
Por quê você não confia em mim e expõe seus medos
Escorrendo as lágrimas que você conteve
agora cobrem seus olhos
- Isso é bom para você ?


Eu estarei aqui quando o fogo queimar !


Bem vindo a bordo
aqui em cima é o navio de sua vida
Tão podre que irá naufragar
Serei sua doce canção de ninar toda a noite
E se você se perder você pode segurar minha mão...


Eu estarei aqui quando o fogo queimar
(Dentro do seu coração)
Escalando colinas e montanhas
não se esqueça do que você aprendeu !


A vida nos faz sentir o tempo que não podemos prender
Tempo nos faz viver um conto já contado
Tempo nos faz curar um sentimento por dentro
um sentimento que descansa em nosso coração
que nós roubamos...


Eu estarei aqui quando o fogo queimar
(Dentro do seu coração)
Escalando colinas e montanhas
não se esqueça do que você aprendeu !


A vida nos faz sentir (a vida nos faz sentir)
O tempo que não podemos prender
Tempo nos faz viver (tempo nos faz viver)
Um conto já contado
Tempo nos faz curar (tempo nos faz curar)
Um sentimento por dentro
um sentimento que descansa em nosso coração
que nós roubamos...

sábado, 14 de setembro de 2013

The Smiths - Asleep (tradução)

Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu estou cansado e eu
Eu quero ir pra cama
Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
E então me deixe sozinho
Não tente me acordar de manhã
Porque eu terei ido
Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
Do fundo do meu coração
Eu ficarei tão feliz em partir


Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu não quero mais acordar
Em mim mesmo
Cante pra mim
Cante pra mim
Eu não quero mais
Acordar em mim mesmo
Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
Do fundo do meu coração
Eu realmente quero ir


Há um outro mundo
Há um mundo melhor
Bem, deve haver
Bem, deve haver
Adeus

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

ÁLVARES DE AZEVEDO - 12 de setembro

I
O sol oriental brilha nas nuvens,
Mais docemente a viração murmura
E mais doce no vale a primavera
Saudosa e juvenil é toda em rosa...
Como os ramos sem folhas
Do pessegueiro em flor.
Ergue-te, minha noiva, ó natureza!
Somos sós — eu e tu: — acorda e canta
No dia de meus anos!
II
Debalde nos meus sonhos de ventura
Tento alentar minha esperança morta 
E volto-me ao porvir...
A minha alma só canta a sepultura
E nem última ilusão beija e conforta
Meu ardente dormir...
III
Tenho febre... meu cérebro transborda.
Eu morrerei mancebo, inda sonhando
Da esperança o fulgor...
Oh! cantemos ainda: a última corda
Treme na lira... morrerei cantando
O meu único amor!
IV
Meu amor foi o sol que madrugava
O canto matinal da cotovia
E a rosa predileta...
Fui um louco, meu Deus, quando tentava
Descorado e febril nodoar na orgia
Os sonhos de poeta...
V
Meu amor foi a verde laranjeira
Que ao luar orvalhoso entreabre as flores,
Melhor que ao meio-dia,
As campinas, a lua forasteira,
Que triste, como eu sou, sonhando amores
Se embebe de harmonia.
VI
Meu amor!... foi a mãe que me alentava,
Que viveu e esperou por minha vida
E pranteia por mim...
E a sombra solitária que eu sonhava
Lânguida como vibração perdida
De roto bandolim...
VII
Eu vaguei pela vida sem conforto,
Esperei o meu anjo noite e dia
E o ideal não veio...
Farto de vida, breve serei morto...
Não poderei ao menos na agonia
Descansar-lhe no seio...
VIII
Passei como Don Juan entre as donzelas,
Suspirei as canções mais doloridas
E ninguém me escutou...!
Oh! nunca à virgem flor das faces belas
Sorvi o mel nas longas despedidas...
Meu Deus! ninguém me amou!
IX
Vivi na solidão!... odeio o mundo
E no orgulho embucei meu rosto pálido
Como um astro na treva... 
Senti a vida um lupanar imundo:
Se acorda o triste profanado, esquálido
— A morte fria o leva...
X
E quantos vivos não caíram frios,
Manchados de embriaguez da orgia em meio
Nas infâmias do vício!
E quantos morreram inda sombrios,
Sem remorsos dos loucos devaneios...
— Sentindo o precipício!...
XI
Perdoa-lhes, meu Deus! o sol da vida
Nas artérias ateia o sangue em lava
E o cérebro varia...
O século na vaga enfurecida
Levou a geração que se acordava
E nuta de agonia...
XII
São tristes deste século os destinos!
Seiva mortal as flores que despontam
Infecta em seu abrir...
E o cadafalso e a voz dos Girondino
Não falam mais na glória e não apontam
A aurora do porvir!
XIII
Fora belo talvez, em pé, de novo,
Como Byron surgir, ou na tormenta
O herói de Waterloo...
Com sua idéia iluminar um povo,
Como o trovão nas nuvens que rebenta
E o raio derramou!
XIV
Fora belo talvez sentir no crânio
A alma de Goethe e reunir na fibra,
Byron, Homero e Dante;
Sonhar-se num delírio momentâneo
A alma da criação e o som que vibra
A terra palpitante...
XV
Mas ah! o viajor nos cemitérios
Nessas nuas caveiras não escuta
Vossas almas errantes,
Do estandarte da sombra nos impérios
A morte — como a torpe prostituta —
Não distingue os amantes.
XVI
Eu pobre sonhador... em terra inculta,
Onde não fecundou-se uma semente,
Convosco dormirei... 
E dentre nós a multidão estulta
Não vos distinguirá a fronte ardente
Do crânio que animei...
XVII
Ó morte! a que mistério me destinas?
Esse átomo de luz que inda me alenta,
Quando o corpo morrer, 
Voltará amanhã... aziagas sinas!...
Da terra sobre a face macilenta
Esperar e sofrer?
XVIII
Meu Deus, antes, meu Deus, que uma outra vida
Com teu sopro eternal meu ser esmaga
E minh’alma aniquila...
A estrela de verão no céu perdida
Também, às vezes, teu alento apaga
Numa noite tranqüila!...