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sexta-feira, 13 de março de 2015

P. Shelley - Aforismo

Tudo o que vemos e conhecemos perece e está em mudança.

sábado, 15 de junho de 2013

P. Shelley - Nênia

Áspero vento, que lamentas alto
Dor muito triste para ser cantada,
Vento bravio, quando a escura nuvem
Dobra ao longo da noite consternada;

Bosques despidos, cujos galhos se contorcem,
Triste tormenta, de prantear tão infecundo,
Fundas cavernas e medonho mar,
Chorai pela injustiça desse mundo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Shelley - À Noite

I
’Spectro da Noite, célere atravessa
Os mares do Ocidente!
Das brumosas grutas do Oriente vem depressa,
De onde, enquanto o dia refulgente
Se alonga em solidão, tu teces sonhos
Os mais benévolos e os mais medonhos
– Vem, ó Noite envolvente!

II
Esconde teu vulto em manto sem cor,
Teus astros benfazejos!Venda os olhos do Dia
[com o negror
De teu cabelo, e exaure-o com teus beijos,
Depois toca a cidade, e a terra, e o mar,
Com teu condão de ópio, a apaziguar
– Noite de meus desejos!

III
Quando acordei e vi o amanhecer,
Eu suspirei por ti;
E quando vi o orvalho esvanecer,
O sol pesar sobre o mundo, e senti
Que o Dia demorava-se, cansado,
Tal qual um hóspede indesejado,
Eu suspirei por ti.

IV
Veio tua irmã, a Morte, e perguntou:
Tu me chamaste aqui?
Teu doce filho, o Sono, se achegou,
E entre suaves murmúrios ouvi:
Queres que me acomode ao lado teu?
Chamaste-me aqui? — Respondi-lhe eu:
Não, não chamei a ti!

V
A Morte? Só quando houveres morrido,
Em breve, ah, em breve –
O Sono? Quando tiveres partido.
Que não me venha o Sono, nem me leve
A Morte, e sim tu, Noite, ó bem-amada
– Vem súbita, vem célere, alada;
Teu vôo seja breve!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Especial P.Shelley

"A poesia é um espelho que torna bonito aquilo que é distorcido."

Shelley - Biografia

Um dos mais significativos poetas românticos da Inglaterra, Percy Bysshe Shelley nasceu em Field Place, na cidade de Horsham, condado de West Sussex, na Inglaterra, no dia 4 de agosto de 1792. Ele se tornaria célebre, particularmente, por seus poemas mais extensos, como “Prometheus Unbound”, “Alastor, or The Spirit of Solitude” e o inconcluso “The Triumph of Life“, entre outros. Descendente de nobres, ele cresceu numa família que se pautava por valores conservadores. Mesmo assim ele seguia um ideário radical que lhe apontava caminhos nada conformistas. Seu pai, Sir Timothy Shelley, era integrante do Partido Whig, de inclinação liberal, e ocupava uma cadeira no Parlamento inglês. Percy passou sua infância ao lado dos seis irmãos, dos quais uma irmã morreu ainda criança.
Seus primeiros estudos foram realizados junto ao Reverendo Evan Edwards, pois o pai pretendia educá-lo para ser um intelectual, um bom orador e ter uma ótima performance na vida pública. Sua primeira escola foi a Syon House Academy, uma instituição particular na qual ele ingressou em 1802; logo depois, em 1804, ele seguiu para o Eton College, localizado próximo ao castelo de Windsor. Aí ele tinha que se defender dos colegas, que o agrediam por ele ser franzino e cultivar ideais considerados exóticos.
Inspirado pelas experiências vividas nesta escola, Percy escreveu o romance Zastrozzi, de  1810, um thriller de natureza gótica, no qual ele revela uma percepção de mundo perpassada por valores ateus, condensados nas atitudes do vilão-protagonista. Ainda este ano ele lançou Original Poetry by Victor and Cazire, ao lado da irmã Elizabeth.
No dia 10 de abril de 1810 ele ingressou na Universidade de Oxford. Um ano depois ele lançou seu segundo livro gótico, St. Irvyne; or, The Rosicrucian, e escreveu um panfleto no qual propagava a necessidade de se disseminar o ateísmo. Por conta deste texto ele acabou sendo expulso de Oxford. O poeta rejeitou a chance de se desculpar e voltar atrás em suas crenças, o que provocou um sério conflito com o pai. Sua intenção, na verdade, era se dedicar aos estudos filosóficos.
Nesta época Percy retorna para Londres e encontra Harriet Westbrook, uma jovem de 16 anos, com quem se casa. Em 1812 ambos seguem para a capital irlandesa, Dublin, para divulgar a publicação de Adress to The Irish People. De volta à capital inglesa ele conhece Willian Godwin, um filósofo social extremista que contribui para o lançamento, em 1813, de sua primeira obra realmente significativa, Queen Mab, na qual reafirma a não existência de um Criador.
Em pouco tempo ele se afasta de Harriet e se apaixona por seu verdadeiro amor, a escritora Mary Woolstonecraft Godwin, mais conhecida como Mary Shelley. De forma polêmica ele se une a Mary, parte com ela para a França e convida a primeira mulher para se juntar a eles como se fosse sua irmã, o que lhe confere a fama de imoral ao lado da de ateu subversivo, especialmente depois que Harriet se suicida, em 1816. Percy é então impedido de permanecer com os filhos. Dois anos depois ele oficializa seu relacionamento com Mary, casa-se e parte para a Itália. O poeta nunca mais volta a pisar em solo inglês.
Neste país ele trava amizade com Byron e, na cidade de Pisa, criam o Círculo de Pisa, integrado também por Edward Trelawny. Em dois anos ele perde Clara e William, seus dois filhos, e a partir daí inicia em suas obras meditações mais profundas e complexas, como é possível encontrar em Prometheus Unbound e The Cenci. Seus poemas se tornam mais tristes e, após a morte do poeta Keats, ele cria para o amigo uma elegia conhecida como Adonais.
Seus parâmetros agora não são mais o viés gótico e as doutrinas sociais do século XVIII, mas sim as tragédias de origem grega, o poema de Milton, O Paraíso Perdido, e as Escrituras Sagradas. Na sua obra mais madura é possível perceber as inspirações dos textos platônicos e neoplatônicos.Apenas aos poucos Percy conquistou o circuito da crítica literária, pois durante muito tempo foi considerado um poeta nada maduro emocionalmente, um simulador de criações desconexas. O poeta morreu no dia 8 de julho de 1822, aos 29 anos, vítima de um naufrágio, ao lado do amigo Edward Williams.
Ele foi cremado, mas seu coração poupado e doado a Mary por Trelawney. Quando ela morreu, o coração de Percy foi sepultado junto com a escritora.

Fontes:
http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/shelley.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Percy_Bysshe_Shelley
http://www.infoescola.com/biografias/percy-bysshe-shelley/

Shelley - Tempo

Mar insondável, cujas ondas são os anos,
  Oceano do tempo, cujas águas da aflição
Receberam o sal do pranto dos humanos!
  Tu, mar sem praias, que na cheia e na vazão
  Abraças os limites da mortalidade,
  E uivando por mais vítimas, em tua saciedade,
Vomitas teu despojo em sua costa inóspita;
 Traiçoeiro em calma, horror em tempestade,
   Velejar em ti quem há de,
    Insondável mar!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

P.Shelley - Aforismo

"morrem nossos prazeres;
depois, nossas esperanças;
depois nossos temores.
E, então, nossa dí­vida vence:
O pó reivindica o pó,
e morremos por nossa vez.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Shelley - The Flower That Smiles Today

A flor que hoje sorri
Amanhã morre,
Tudo o que deseja ficar
Tenta e depois voa,
O que é o prazer deste mundo?
Como relâmpago que zomba da noite,
É Breve mesmo sendo tão brilhante.

Virtude, quão frágil é!
Amizade, como é rara!
Amor, como vende felicidades pobres
Para o desespero orgulhoso!
Mas estes logo caem,
Sobreviva a sua alegria, e a tudo
Que chamamos de nosso.

Enquanto os céus são azuis e brilhantes,
Enquanto as flores são alegres,
Enquanto olhos que mudaram eram a noite
Faça o dia feliz;
Enquanto rastejam calmamente as horas
Tu sonhas - e do teu sono
Acorda então a chorar.


sábado, 21 de março de 2009

Percy Shelley - Ode ao vento oeste (fragmentos)

Se eu fosse uma folha morta que pudesse carregar;
Se eu fosse um nuvemveloz para voar contigo;
Uma onda que arfasse sob teu poder e compartilhasse
O impulso de tua força apenas menos livre
Do que tu, ò incontrolável! Se ao menos
Eu fosse como na minha mocidade, e pudesse ser
O camarada de tuas andanças sobre o céu.
Assim como, quando para ultrapassar a velocidade do firmamento
Mal pareces uma visão; eu jamais teria me esforçado
Assim deste modo contigo em oração sobre minha triste necessidade,
Oh, ergue-me como uma onda, uma folha, uma nuvem!
Eu caio sobre os espinhos da vida!Eu sangro!
O peso opressivo das horas prendeu e curvou
Alguém também como tu: indomado, e rápido, e orgulhoso."