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segunda-feira, 28 de março de 2011

L&PM lança nova biografia de Virgínia Woolf

28/03/2011

Os 70 anos de morte da corajosa Virginia Woolf

Por L&PM Editores
"Ao jogar-se no Ouse na manhã do dia 28 de março de 1941, aos 59 anos, Virginia Woolf dá a 
prova final de sua coragem e de sua vontade". Assim termina Virginia Woolf, vigésimo volume
 da Série Biografias L&PM.
Contar o final do livro, aqui, não chega a ser uma traição aos leitores. Já que não é mistério 
algum a forma como a grande escritora britânica resolveu abreviar sua vida, há exatamente 
70 anos. 
O que talvez nem todos saibam - e aí está o valor maior dessa obra - é que, até chegar esse dia, 
Virginia precisou atravessar um pântano repleto de fantasmas do passado. Foi mais do que
corajosa. E não apenas na hora de encheros bolsos do casaco de pedras e mergulhar no gelado
 rio Ouse. Virginia Woolf foi a mais corajosa de todas ao se entregar sem medo à literatura e, 
através dela, mostrar-se, libertar-se, salvar-se.
De sua autoria, a L&PM publica Flush.


fonte: 
http://lpm.com.br/site/default.asp?ID=639184&SecaoID=816261&SubsecaoID=935305&Template=..%2Fartigosnoticias%2Fuser_exibir.asp&TroncoID=805133










quarta-feira, 10 de novembro de 2010

De Wikipédia, a enciclopédia livre

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (20 de outubro de 1854, Charleville - 10 de novembro de 1891,Marselha) foi um poeta fracês.
Na maioria das vezes, a história de Rimbaud é apresentada como principal ponto de partida para a leitura de sua obra, o que torna quase impossível olhar a obra de Rimbaud com olhos livres.
Por outro lado, o Rimbaud que partiu para traficar armas de fogo no norte da África de um lado e deu cor às vogais (revista em Alquimia do Verbo) por outro, tornou-se um tipo de referência para a poesia no século seguinte: servindo como argumento à tese que nascia sobre a impossibilidade de ser considerada a dissociação entre o poeta e sua poesia. O poeta, assim, vive e é sua poesia - pensamento em voga ainda hoje segundo algumas escolas.
O norte-americano Henry Miller, um dos grandes admiradores da poesia simbolista de Rimbaud, diz, diante disso, que o tipo Rimbaud chegará a superar tipos clássicos de comportamento; como o introspectivo e inquieto jovem estampado pelo personagem Hamlet, de Shakespeare. "Acho que existem muitos Rimbauds neste mundo e que seu número aumentará com o tempo. Acho que o tipo Rimbaud tomará o lugar, nos próximos tempos, do tipo Hamlet e do tipo Fausto. Até que o velho mundo morra de vez, o indivíduo 'anormal' será cada vez mais a norma. O novo homem se encontrará quando a guerra e a coletividade entre o indivíduo cessar. Veremos então o tipo de homem em sua plenitude e esplendor".

sábado, 16 de outubro de 2010

Oscar Wilde - Biografia

Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde nasceu em Dublin, Irlanda, em 16 de outubro de 1854. De pais sofisticados e ricos, estudou em Oxford onde, sob a influência de Matthew Arnold, John Ruskin e Walter Pater, liderou um movimento que combatia os filisteus da cultura e propunha um hedonismo extremado. Brilhou na sociedade londrina com seu talento verbal. Os trocadilhos e pilhérias que o tornaram famoso, não obstante, criticavam muitas vezes o próprio modo vitoriano de vida, marcado pelo apego às convenções.
Nos diversos gêneros que abordou, Wilde criou obras inesquecíveis, como The Happy Prince and Other Tales (1888; O príncipe feliz e outras histórias) e The Picture of Dorian Gray (1891; O retrato de Dorian Gray), este seu único romance e um de seus livros mais lidos. A poesia contida em Poems (1881; Poemas) apresenta alguns poemas isolados de força sugestiva e patética. Entretanto, não foi muito estimada pela crítica do século XX, que sempre lhe reprovou o sentimentalismo excessivo.
É opinião unânime que Wilde se expressou com maior desenvoltura como autor teatral, renovando a dramaturgia vitoriana com sua verve e seus paradoxos, cintilantes de agudeza e de concisão verbal. Um pouco à maneira das comédias do período da restauração, suas peças principais foram armas brandidas contra as convenções da "boa sociedade", expondo-lhe sem piedade a hipocrisia. Entre essas peças estão Lady Windermere's Fan (1893; O leque de Lady Windermere), A Woman of No Importance (1893; Uma mulher sem importância) e An Ideal Husband (1895; Um marido ideal). Bem mais conhecida e ainda muito encenada é The Importance of Being Earnest (1895; A importância de ser sério), considerada sua obra-prima no gênero e cujo título original encerra um jogo de palavras entre earnest (sério) e Ernest (Ernesto).
Como ensaísta, Wilde publicou Intentions (1895; Intenções). Em francês, escreveu o drama poético Salomé (1893), transformado por Richard Strauss em ópera (1905). De seus dias de prisão brotaram The Ballad of the Reading Gaol (1898; A balada do cárcere de Reading) e o depoimento em prosa De profundis (1905), longa carta de recriminações a Lord Alfred Douglas, seu ex-amante e causa de toda sua desgraça. Oscar Wilde, libertado em 1897, deixou para sempre a Inglaterra e, em extrema pobreza, morreu em Paris em 30 de novembro de 1900.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.










quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Edgar Allan Poe - Biografia

Edgar Allan Poe nasceu em Boston, no dia 19 de Janeiro de 1809. Seu avô David Poe participou da Guerra da Independência, e seu pai (também chamado David Poe) apaixonou-se pela atriz inglesa Elisabeth Arnold, casando-se com ela. Edgar Allan Poe teve dois irmãos e seus pais faleceram pouco tempo depois do nascimento de Rosalie, a filha mais nova do casal. Assim, Poe foi adotado pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.
Poe estudou em Londres na Stoke-Newington; algum tempo depois continuou seus estudos de volta a Richmond, na Universidade Charlotteville. Allan Poe, apesar de muito inteligente era também muito genioso. Era um jovem aventureiro, romântico, orgulhoso e idealista.
Poe continua seus estudos em Virgínia, mas acaba largando os estudos, em razão de suas dívidas, já que era um boêmio que vivia no luxo, se entregando à bebida, ao jogo e às mulheres. Mais tarde, ingressou no Exército dos Estados Unidos, onde permanece por dois anos.
Em 1829 sua mãe falece. Logo após, Poe alista-se na Academia Militar de West Point. Mas com o lançamento de uma compilação de poesias em 1831, desliga-se da Academia e corta relações com seu pai adotivo, devido ao casamento com outra mulher, o que teria deixado Poe muito contrariado.
Aos 22 anos, vivendo na miséria, publica Poemas. Já em Baltimore procura pelo irmão Willian e assiste a morte dele. Allan Poe passa a viver com uma tia muito pobre e viúva. Durante dois anos vive em miséria profunda. Mas vence dois concursos de poesias e o editor Thomaz White entrega-lhe a direção do "Southern Literary Messenger".
Em 1833 lança Uma aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal. Dirige a revista por dois anos. Allan Poe gozava de uma certa reputação com leitores assíduos. Depois de sua vida estabilizada, aos 27 anos casa-se com sua prima de 13 anos, Virgínia Clemn. No ano de 1838 trabalha na Button’s Gentleman Magazine na companhia de sua esposa. O casal vivera na Filadélfia, Nova York e Fordham. Em 1847, sofre com a morte de sua esposa vitimada pela tuberculose.
Em 1845, Allan Poe lança O CorvoEureka e Romance Cosmogônico lhe atribuem a fama necessária para provocar a censura da imprensa e da sociedade. Desiludido, volta para Richmore e depois vai para Nova York e entrega-se à bebida. Antes de seguir para a Filadélfia, resolve encontrar-se com velhos amigos. Na manhã seguinte, Poe é encontrado por um amigo em estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida, de onde o transportaram imediatamente para um hospital. Estava inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando repetidamente por um misterioso "Reynolds", até morrer, na manhã do domingo seguinte, aos 40 anos e deixando uma vasta obra em sua vida de sacrifícios e desordem. Era 7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores escritores. Até hoje não se sabe ao certo o que tenha acontecido naquela noite. Teria o autor, sido vítima da loucura que em tantos contos narrou? Muitos afirmam que tenha sido vítima de uma quadrilha que o envenenou, mas o mais certo é que tenha tido uma overdose de ópio.
Poe escreveu novelas, contos e poemas, exercendo larga influência em autores fundamentais como Baudelaire, Maupassant e Dostoievski. Mas admite-se que seu maior talento era em escrever contos. Escreveu contos de horror ou "gótico" e contos analíticos, policiais. Os contos de horror apresentam invariavelmente personagens doentias, obsessivas, fascinadas pela morte, vocacionadas para o crime, dominadas por maldições hereditárias, seres que oscilam entre a lucidez e a loucura, vivendo numa espécie de transe, como espectros assustadores de um terrível pesadelo. Entre os contos, destacam-se O gato pretoLigéiaCoração denunciador,A queda da casa de UsherO poço e o pênduloBerenice e O barril de amontillado. Os contos analíticos, de raciocínio ou policiais, entre os quais figuram os antológicos Assassinato de Maria RogetOs crimes da Rua Morgue e A carta roubada, ao contrário dos contos de horror, primam pela lógica rigorosa e pela dedução intelectual que permitem o desvendamento de crimes misteriosos.
Em seus contos, Poe se concentrava no terror psicológico, vindo do interior de seus personagens ao contrário dos demais autores que se concentravam no terror externo, no terror visual se valendo apenas de aspectos ambientais.
Geralmente, os personagens sofriam de um terror avassalador, fruto de suas próprias fobias e pesadelos, que quase sempre eram um retrato do próprio autor, que sempre teve sua vida regida por um cruel e terrível destino. Nenhum de seus contos é narrado em terceira pessoa, desse modo, vê-se como realmente é sempre "ele" que vê, que sente, que ouve e que vive o mais profundo e escandente terror. São relatos em que o delírio do personagem se mistura de tal maneira à realidade que não se consegue mais diferenciar se o perigo é concreto ou se trata apenas de ilusões produzidas por uma mente atormentada.
Em quase todos os contos, sempre há um mergulho, em certas profundezas da alma humana, em certos estados mórbidos da mente, em recônditos desvãos do subconsciente. Por esses aspectos a psicanálise lança-se ao estudo da obra de Poe, já que a mesma possui uma grande leva de exemplos que ilustram suas demonstrações. Independentemente desse aspecto, sua obra é lembrada pelo talento narrativo impressionante e impressivo, pela força criadora monumental e pela realização artística invejável, fazendo com que Edgar Allan Poe seja considerado um dos maiores autores de contos de terror.


sábado, 25 de setembro de 2010

Biografia - Walter Benjamin

Walter Benjamin (Berlim, 15 de julho de 1892 — Portbou, 27 de setembro de 1940) foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão.
Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi fortemente inspirado tanto por autores marxistas, como Georg Lukács e Bertolt Brecht, como pelo místico judaico Gerschom Scholem. Conhecedor profundo da língua e cultura francesas, traduziu para alemão importantes obras como Quadros Parisienses de Charles Baudelaire e Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. O seu trabalho, combinando ideias aparentemente antagónicas do idealismo alemão, do materialismo dialético e do misticismo judaico, constitui um contributo original para a teoria estética. Entre as suas obras mais conhecidas, contam-se A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica (1936), Teses Sobre o Conceito de História (1940) e a monumental e inacabada Paris, Capital do século XIX, enquanto A Tarefa do Tradutor constitui referência incontornável dos estudos literários.

fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Biografia de J.R.R. Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien, (3 janeiro 1892 – 2 de Setembro de 1973) foi um Inglês escritor, poeta, filólogo e professor universitário, mais conhecido como o autor do clássico das obras O Hobbit , O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. 
A obra literária do professor e filólogo J.R.R. Tolkien não teve paralelos em todo século XX. Estudioso apaixonado pela língua e literatura da Inglaterra medieval, Tolkien sentia que faltava à sua terra uma mitologia digna desse nome. Unindo o desejo de dar uma mitologia à Inglaterra com o prazer que sentia em criar línguas (algo que estava estreitamente ligado a seu processo criativo), Tolkien deu início a um grandioso ciclo de lendas, ambientado num passado mítico.
Tolkien foi professor de anglo-saxão em Oxford de 1925 a 1945, e Professor de Língua e Literatura de Inglês 1945-1959. Ele foi um grande amigo de C.S. Lewis, que eram ambos membros do grupo de discussão conhecido como o Inklings. Tolkien foi nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II em 28 de Março de 1972.
Após sua morte, o filho de Tolkien, Christopher, publicou uma série de obras com base em extensas notas e manuscritos inéditos de seu pai, incluindo O Silmarillion. Estes, juntamente com O Hobbit e O Senhor dos Anéis, deram a forma ligado a contos, poemas, histórias fictícias, inventadas línguas, literária e ensaios sobre um mundo chamado Arda, e Terra-Média. Entre 1951 e 1955 Tolkien aplica a palavra legendarium a maior parte desses textos.
Embora muitos outros autores haviam publicado obras de fantasia antes de Tolkien, o grande sucesso de O Hobbit e O Senhor dos Anéis quando foram publicados nos Estados Unidos levou diretamente a um ressurgimento do gênero popular. Isto tem causado Tolkien a ser popularmente identificado como o "pai" da moderna literatura de fantasia. Escritos de Tolkien tem inspirado muitas outras obras de fantasia e tiveram um efeito duradouro sobre a totalidade do campo. Em 2008, The Times classificou-o em sexto de uma lista de "Os 50 maiores escritores britânicos desde 1945."

fontes: http://www.valinor.com.br/8390
http://www.conselhobranco.com.br/tolkien/tolkien.htm

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Baudelaire - Biografia

Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris, no dia 9 de Abril de 1821. Numa infância e adolescência atormentada, viu-se órfão do pai aos seis anos, e passou a odiar o segundo marido de sua mãe, o general Aupick. Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu seus estudos em Lyon para iniciar uma viagem à Índia. Ao regressar, participou da revolução de 1848 e logo após dissipou seus bens em meio a boemia e a jogatina parisiense. Lá conheceu personalidades como Mme. Sabatier, Marie Daubrun, e uma de suas musas, a atriz Jeanne Duval. Submerso em dívidas, Baudelaire foi submetido a um conselho judiciário iniciado por seus familiares. Assim, o tutor Ancelle foi nomeado para controlar os gastos do escritor.
Um fato marcante na vida de Baudelaire, deu-se em 1857 com a publicação de As Flores do Mal (Les Fleurs du Mal). Este, que é o maior título de sua carreira, contém poesias que datam de 1841. Esta obra rendeu-lhe um processo pelo tribunal correcional do Sena; uma multa por atentar à moral e aos bons costumes, além de ser obrigado a retirar seis poemas (poesies damnées) do volume original, sendo publicado na íntegra apenas nas edições póstumas, em 1911. Baudelaire também foi alvo da hostilidade da imprensa, que o julgava um subproduto degenerado do romantismo. Porém, sua carreira foi admirada e elogiada por Vitor Hugo e Gustave Flaubert, entre outros.
Tanto As Flores do Mal como Pequenos Poemas em Prosa (Petits Poèmes en Prose, que depois seria intitulado Lê Spleen de Paris) foram publicados em revistas desde 1861, e introduziram novos elementos na linguagem poética, fundindo os opostos existenciais como o sublime e o grotesco, e explorando as analogias ocultas do universo.
Baudelaire foi o escritor que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, lançando-se também como crítico de arte no Salon de 1845. Nesse momento, o poeta tornava-se um crítico que buscava um princípio inspirador e coerente nas obras de arte. Os escritos que o revelam nesse segmento A arte Romântica e Curiosidades Estéticas só foram publicadas em 1868. Baudelaire atuou também como tradutor de Allan Poe a partir de 1848. Entre seus ensaios, destaca-se O Princípio Poético (1876), onde as bases de sua poética foram fixadas.
Um outro Charles-Pierre Baudelaire é revelado em Os Paraísos Artificiais, ópio e haxixe (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada na obra de Thomas De Quincey, Confissões de um Comedor de Ópio. Encontra-se também obras de cunho intimista e confessional, como Meu Coração Desnudo e Diários Íntimos.
Baudelaire é tido como um dos maiores da França de todos os tempos. Alguns o consideram um ensaísta do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. De atuação ousada, tornou-se um ícone no século XX influenciando a poesia mundial de tendências simbolistas, inclusive no Brasil com Teófilo Dias. De sua obra, derivam Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. Baudelaire foi precursor de uma linguagem moderna no romantismo, concedendo a realidade uma submissão lírica. Assim, sua poesia é marcada pela contradição; de um lado via-se um herdeiro do romantismo obscuro de Allan Poe e Gerard de Neval, e de outro, o poeta que se opôs ao sentimentalismo redundante do romantismo francês.
Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de atribulações, Baudelaire morreu em Paris, no dia 31 de Agosto de 1867 nos braços de sua mãe, acometido pela paralisia geral.
Seu talento, capacidade intelectual e percepção romântica, só foram totalmente apreciadas após sua morte. Tanto um Baudelaire, em sua face crítica e ácida, como o poeta confessional e expontâneo; mas, principalmente, como a totalidade de sua obra e o devido reconhecimento que lhe é atribuído.

fonte: http://www.spectrumgothic.com.br/literatura/autores/baudelaire.htm

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Alphonsus de Guimaraens - Biografia

Alphonsus de Guimaraens (Afonso Henriques da Costa Guimaraens), nasceu em Ouro Preto (MG), em 1870 e faleceu em Mariana (MG), em 1921. Bacharelou-se em Direito, em 1894, em sua terra natal. Desde seus tempos de estudante colaborava nos jornais “Diário Mercantil”, “Comércio de São Paulo”, “Correio Paulistano”, “O Estado de S. Paulo” e “A Gazeta”. Em 1895 tornou-se promotor de Justiça em Conceição do Serro (MG) e, a partir de 1906, Juiz em Mariana (MG), de onde pouco sairia. Seu primeiro livro de poesia, Dona Mística, (1892/1894), foi publicado em 1899, ano em que também saiu o “Setenário das Dores de Nossa Senhora. Câmara Ardente”. Em 1902 publicou “Kiriale”, sob o pseudônimo de Alphonsus de Vimaraens. Sua “Obra Completa” foi publicada em 1960. Considerado um dos grandes nomes do Simbolismo, e por vezes o mais místico dos poetas brasileiros, Alphonsus de Guimaraens tratou em seus versos de amor, morte e religiosidade. A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.

(fonte: Itaú Cultural)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Vinicius de Moraes - Biografia

Vinicius de Moraes (19 de outubro de 1913 - 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
Poeta essencialmente lírico, o poetinha (como ficou conhecido) notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida.
Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell e Carlos Lyra.
Vinicius nasceu em 1913 no bairro da Gávea, filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, poeta e violonista amador, e Lidia Cruz, pianista amadora. Vinícius é o segundo de quatro filhos, Lygia (1911), Laetitia (1916) e Helius (1918). Mudou-se com a família para o bairro de Botafogo em 1916, onde iniciou os seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto, onde já demonstrava interesse em escrever poesias. Em 1922, a sua mãe adoeceu e a família de Vinicius mudou-se para a Ilha do Governador, ele e sua irmã Lygia permanecendo com o avô, no Botafogo, para terminar o curso primário.
Vinicius de Moraes ingressou em 1924 no Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, onde passou a cantar no coral e começou a montar pequenas peças de teatro. Três anos depois, tornou-se amigo dos irmãos Haroldo e Paulo Tapajós, com quem começou a fazer suas primeiras composições e a se apresentar em festas de amigos. Em 1929, concluiu o ginásio e no ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito do Catete, hoje integrada à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Na chamada "Faculdade do Catete", conheceu e tornou-se amigo do romancista Otavio Faria, que o incentivou na vocação literária. Vinicius de Moraes graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1933.
Três anos depois, obteve o emprego de censor cinematográfico junto ao Ministério da Educação e Saúde. Dois anos depois, Vinicius de Moraes ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford. Em 1941, retornou ao Brasil empregando-se como crítico de cinema no jornal "A Manhã". Tornou-se também colaborador da revista "Clima" e empregou-se no Instituto dos Bancários.
No ano seguinte, foi reprovado em seu primeiro concurso para o Ministério das Relações Exteriores (MRE). No ano seguinte, concorreu novamente e desta vez foi aprovado. Em 1946, assumiu o primeiro posto diplomático como vice-cônsul em Los Angeles. Com a morte do pai, em 1950, Vinicius de Moraes retornou ao Brasil. Nos anos 1950, Vinicius atuou no campo diplomático em Paris e em Roma, onde costumava realizar animados encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda.
Além da carreira diplomática, de onde atuou até o final de 1968, Vinicius começou a se tornar prestigiado com sua peça de teatro "Orfeu da Conceição", obra de 1954. Além da diplomacia, do teatro e dos livros, sua carreira musical começou a deslanchar em meados da década de 1950 - época em que conheceu Tom Jobim (um de seus grandes parceiros) -, quando diversas de suas composições foram gravadas por inúmeros artistas. Na década seguinte, Vinicius de Moraes viveu um período áureo na MPB, no qual foram gravadas cerca de 60 composições de sua autoria. Foram firmadas parcerias com compositores como Baden Powell, Carlos Lyra e Francis Hime.

Nos anos 1970, já consagrado e com um novo parceiro, o violonista Toquinho, Vinicius seguiu lançando álbuns e livros de grande sucesso.

Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes com Toquinho sobre as canções do álbum "Arca de Noé", Vinicius alegou cansaço e que precisava tomar um banho. Na madrugada do dia 9 de julho, Vinicius foi acordado pela empregada, que o encontrara na banheira de casa, com dificuldades para respirar. Toquinho, que estava dormindo, acordou e tentou socorrê-lo, seguido por Gilda Mattoso
(última esposa do poeta), mas não houve tempo e Vinicius de Moraes morreria pela manhã.

fonte:http://vinicius-de-moraes.blogspot.com/2009/07/vinicius-de-moraes-biografia.html

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Shelley - Biografia

Um dos mais significativos poetas românticos da Inglaterra, Percy Bysshe Shelley nasceu em Field Place, na cidade de Horsham, condado de West Sussex, na Inglaterra, no dia 4 de agosto de 1792. Ele se tornaria célebre, particularmente, por seus poemas mais extensos, como “Prometheus Unbound”, “Alastor, or The Spirit of Solitude” e o inconcluso “The Triumph of Life“, entre outros. Descendente de nobres, ele cresceu numa família que se pautava por valores conservadores. Mesmo assim ele seguia um ideário radical que lhe apontava caminhos nada conformistas. Seu pai, Sir Timothy Shelley, era integrante do Partido Whig, de inclinação liberal, e ocupava uma cadeira no Parlamento inglês. Percy passou sua infância ao lado dos seis irmãos, dos quais uma irmã morreu ainda criança.
Seus primeiros estudos foram realizados junto ao Reverendo Evan Edwards, pois o pai pretendia educá-lo para ser um intelectual, um bom orador e ter uma ótima performance na vida pública. Sua primeira escola foi a Syon House Academy, uma instituição particular na qual ele ingressou em 1802; logo depois, em 1804, ele seguiu para o Eton College, localizado próximo ao castelo de Windsor. Aí ele tinha que se defender dos colegas, que o agrediam por ele ser franzino e cultivar ideais considerados exóticos.
Inspirado pelas experiências vividas nesta escola, Percy escreveu o romance Zastrozzi, de  1810, um thriller de natureza gótica, no qual ele revela uma percepção de mundo perpassada por valores ateus, condensados nas atitudes do vilão-protagonista. Ainda este ano ele lançou Original Poetry by Victor and Cazire, ao lado da irmã Elizabeth.
No dia 10 de abril de 1810 ele ingressou na Universidade de Oxford. Um ano depois ele lançou seu segundo livro gótico, St. Irvyne; or, The Rosicrucian, e escreveu um panfleto no qual propagava a necessidade de se disseminar o ateísmo. Por conta deste texto ele acabou sendo expulso de Oxford. O poeta rejeitou a chance de se desculpar e voltar atrás em suas crenças, o que provocou um sério conflito com o pai. Sua intenção, na verdade, era se dedicar aos estudos filosóficos.
Nesta época Percy retorna para Londres e encontra Harriet Westbrook, uma jovem de 16 anos, com quem se casa. Em 1812 ambos seguem para a capital irlandesa, Dublin, para divulgar a publicação de Adress to The Irish People. De volta à capital inglesa ele conhece Willian Godwin, um filósofo social extremista que contribui para o lançamento, em 1813, de sua primeira obra realmente significativa, Queen Mab, na qual reafirma a não existência de um Criador.
Em pouco tempo ele se afasta de Harriet e se apaixona por seu verdadeiro amor, a escritora Mary Woolstonecraft Godwin, mais conhecida como Mary Shelley. De forma polêmica ele se une a Mary, parte com ela para a França e convida a primeira mulher para se juntar a eles como se fosse sua irmã, o que lhe confere a fama de imoral ao lado da de ateu subversivo, especialmente depois que Harriet se suicida, em 1816. Percy é então impedido de permanecer com os filhos. Dois anos depois ele oficializa seu relacionamento com Mary, casa-se e parte para a Itália. O poeta nunca mais volta a pisar em solo inglês.
Neste país ele trava amizade com Byron e, na cidade de Pisa, criam o Círculo de Pisa, integrado também por Edward Trelawny. Em dois anos ele perde Clara e William, seus dois filhos, e a partir daí inicia em suas obras meditações mais profundas e complexas, como é possível encontrar em Prometheus Unbound e The Cenci. Seus poemas se tornam mais tristes e, após a morte do poeta Keats, ele cria para o amigo uma elegia conhecida como Adonais.
Seus parâmetros agora não são mais o viés gótico e as doutrinas sociais do século XVIII, mas sim as tragédias de origem grega, o poema de Milton, O Paraíso Perdido, e as Escrituras Sagradas. Na sua obra mais madura é possível perceber as inspirações dos textos platônicos e neoplatônicos.Apenas aos poucos Percy conquistou o circuito da crítica literária, pois durante muito tempo foi considerado um poeta nada maduro emocionalmente, um simulador de criações desconexas. O poeta morreu no dia 8 de julho de 1822, aos 29 anos, vítima de um naufrágio, ao lado do amigo Edward Williams.
Ele foi cremado, mas seu coração poupado e doado a Mary por Trelawney. Quando ela morreu, o coração de Percy foi sepultado junto com a escritora.

Fontes:
http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/shelley.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Percy_Bysshe_Shelley
http://www.infoescola.com/biografias/percy-bysshe-shelley/

domingo, 30 de maio de 2010

Santa Joana D'arc

Heroína francesa (Domrémy, 6-I-1412 - Rouen, 3O-V-1431). Era uma simples aldeã, filha de camponeses, que se dizia inspirada por Deus para realizar a grande empresa de expulsar os ingleses que ocupavam a maior parte do território de sua pátria. Aos catorze anos passou a ouvir vozes celestiais, acreditando que o arcanjo São Miguel, além de santa Catarina e santa Margarida, com ela confabulavam. Suas numerosas visões indicavam-lhe a missão que veio a realizar. Quando as lutas entre franceses e ingleses se aproximaram do Barrois, a exaltação da camponesa tornou-se mais intensa, e não pôde retardar por mais tempo o cumprimento das ordens sobrenaturais.


Partiu de sua aldeia e obteve de Robert de Baudricourt, capitão da guarnição de Vaucouleurs, uma escolta para guiá-la até Chinon, onde se achava Carlos VII, rei de França, então escarnecido como 'rei de Bourges', pelo seu reduzido domínio territorial. O país estava quase todo nas mãos dos ingleses. Os borguinhões, seus aliados, com a cumplicidade de Isabel da Baviera, entregaram a nação ao domínio britânico, pelo tratado de Troyes. Inspirada por extraordinário patriotismo, procurou Joana o rei Carlos Vll e comunicou-lhe a insólita missão que recebera de Deus. Nesse encontro de março de 1428, assombrou a todos a segurança com que se dirigiu ao rei, que lhe entregou o comando de um pequeno exército, para socorrer Orléans, então sitiada pelos ingleses. A caminho, diante da atitude heróica da humilde camponesa, as tropas se avolumaram.

Chegando a Orléans, Joana intimou o inimigo a render-se. O entusiasmo dos combatentes franceses, estimulado pela estranha figura da aldeã-soldado, fez com que os ingleses levantassem o sítio da cidade. Em lembrança desse feito glorioso Joana d'Arc foi cognominada a 'Virgem de Orléans' (Pucelle d'Orléans). O êxito aumentou o prestígio da camponesa, inclusive entre o exército inimigo, e despertou a crença em seu poder sobrenatural. Realmente a coragem dessa heroína realizou o desejado milagre: ergueu o espírito abatido da França. Um sopro cívico perpassou pela nação. Nova missão, porém, ambicionava Joana d'Arc: levar o rei Carlos VII para ser sagrado na catedral de Reims, como era tradição na realeza francesa. A sagração ocorreu a S-V- 1429. Na tentativa que se seguiu, de retomada de Paris, a heroína foi ferida. O sangue derramado aumentou o patriotismo de seus conterrâneos. Caberia, contudo, a Joana d'Arc a palma do martírio. No ataque que empreendeu a Complègne, em maio de 1430, foi aprisionada pelos borguinhões.

Nem estes nem os ingleses quiseram executá-la sumariamente, como poderiam ter feito. Seu plano era privá-la da auréola de santa, obtendo sua condenação num tribunal espiritual. No jogo de interesses políticos que envolveu sua figura de heroína, Joana d'Arc não encontrou nenhum apoio por parte do rei. Em 14 de junho o bispo Pierre Cauchon surgiu no acampamento de Jean de Luxemburgo, onde se encontrava a prisioneira. Ambicioso e desejando obter o bispado de Rouen, então vago, Cauchon faria tudo para agradar aos donos do poder. Joana foi vendida aos ingleses. No processo que se seguiu, e em que Cauchon foi um dos Juízes, Joana foi condenada à prisão perpétua, 'ao pão da dor e à água da agonia', fórmula empregada para entregá-la à justiça leiga. Sentenciada a ser queimada viva como relapsa, foi supliciada publicamente na praça do Mercado Velho, em Rouen. O sacrifico da heroína despertou novas energias no povo francês. Carlos VII, expulsando finalmente os ingleses de Calais, foi chamado o Vitorioso. A figura de Joana foi celebrada em centenas de obras de arte e muitas obras literárias. A Igreja canonizou-a por ato do papa Bento V, em 1920.

domingo, 25 de abril de 2010

Álvares de Azevedo - A Morte e o Mito (frag)

O domingo, 25 de abril de 1852, se iniciara sombrio na casa do Dr. Inácio Manuel Álvares de Azevedo, no Rio de Janeiro. Seu filho Manuel Antônio, o Maneco, pedira à mãe, D. Maria Luísa, que mandasse celebrar uma missa em seu quarto de doente. Sentia que, depois de mais de 40 dias prostrado no leito, vítima de uma série de males, que se manifestaram violentamente após uma queda de cavalo, chegara a hora da morte - que tanto cantara em seus versos de adolescente, apaixonado pelos delírios macabros de Byron e Musset.
Após se confessar ao padre arrumado às pressas, pediu à mãe, grávida de seu oitavo irmão, que se retirasse do quarto, pois precisava descansar. Por volta das 4 horas da tarde, com o auxílio do irmão Quinquim - quatro anos mais moço - ergueu-se um pouco do leito, beijou a mão de seu pai e, a custo, exclamou: "Que fatalidade, meu pai!"
Tentou ainda dizer algumas palavras, mas a boca já se contraía e o corpo jazia imóvel nos braços do irmão.
No enterro, discursou o parente Joaquim Manuel de Macedo, médico, professor e já um dos mais importantes e populares romancistas do Brasil, autor de A Moreninha (1844). Entre outros elogios, afirmava que "Deus tinha acendido na alma do mancebo aquele fogo sagrado da poesia, que eleva o homem acima da terra e faz correr de seus lábios, em cânticos sonoros, a linguagem do inspirado".
No dia 27 de abril, o Correio Mercantil, jornal onde então trabalhava Manuel Antônio de Almeida, publicou, na primeira página, uma nota em que se lia: "Nesse jovem, perdeu o Brasil um de seus mais esperançosos filhos, um coração patriótico e dedicado, um poeta cujos vôos deviam elevar-se a grandes alturas, um advogado que prometia em breve conhecer todos os arcanos das ciências jurídicas, pois que ainda no fervor dos anos já lhe eram igualmente familiares os poetas e literatos da Itália, da Alemanha, da França e da Inglaterra, assim como os escritos dos mais abalizados jurisconsultos e publicistas."
Ao morrer, Manuel Antônio Álvares de Azevedo havia publicado apenas alguns poemas e discursos em revistas acadêmicas de circulação restrita aos estudantes de Direito de São Paulo. Já era, no entanto, considerado, por aqueles que o conheciam, uma grande esperança poética e intelectual.

A sua morte, antes que chegasse a completar o vigésimo primeiro aniversário, privou-nos, nas palavras de José Veríssimo, "daquele que seria talvez o máximo poeta brasileiro". Seria... Talvez... O certo é que a morte jovem criou, como sempre, um mito. O mito do gênio doente e mórbido, que previra a própria morte em "Se Eu Morresse Amanhã":


"Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!"


















fonte: http://www.spectrumgothic.com.br/literatura/morte_e_mito.htm

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Lord Byron - Biografia

A obra e a personalidade romântica de Byron tiveram, no início do século XIX, grande projeção no panorama literário europeu e exerceram enorme influência em seus contemporâneos, por representarem o melhor da sensibilidade da época, conferindo-lhe muito de sedução e elegância mundana.
George Gordon Noel Byron nasceu em Londres em 22 de janeiro de 1788. Em 1798 herdou o título nobiliárquico do tio-avô William, tornando-se o sexto Lord Byron. Ainda estudante em Cambridge, publicou seu primeiro livro de poesia, Hours of Idleness (1807; Horas de ócio), mal recebido pela crítica da prestigiosa Edinburgh Review. Byron respondeu com o poema satírico English Bards and Scotch Reviewers (1809; Bardos ingleses e críticos escoceses). Aos 21 anos ingressou na Câmara dos Lords, partindo pouco depois em viagem pela Europa e o Oriente Médio.

Ao voltar à Inglaterra, em 1811, publicou os dois primeiros cantos de Childe Harold's Pilgrimage (1812; Peregrinação de Childe Harold), longo poema em que narra as andanças e amores de um herói desencantado, ao mesmo tempo em que descreve a natureza da península ibérica, Grécia e Albânia. A obra alcançou sucesso imediato (entre 1812 e 1819 saíram 11 edições em inglês, além de várias traduções), e sua fama se consolidou com outros trabalhos, principalmente The Corsair (1814; O corsário), Lara (1914) e The Siege of Corinth (1916; O cerco de Corinto). Nesses poemas, de enredos exóticos e apesar das irregularidades, Byron confirmou seu talento para a descrição de ambientes.

Em 1816, o pedido de divórcio de Lady Byron (Anne Milbanke), após um ano de casamento, escandalizou a sociedade inglesa, que o associou aos rumores de incesto do poeta com sua meia-irmã Augusta Leigh, e Byron resolveu deixar a Inglaterra.

Na Suíça escreveu o canto III de Childe Harold's Pilgrimage (1816), The Prisoner of Chillon (1816; O prisioneiro de Chillon) e o poema dramático Manfred (1817), enigmático e demoníaco. Em Genebra viveu com Claire Clairmont e fez-se amigo de Shelley. Radicou-se depois em Veneza, onde levou existência agitada e licenciosa, documentada em cartas cheias de verve.

Compôs então o canto IV de Childe Harold's Pilgrimage (1818) e Beppo, a Venetian Story (1818; Beppo, uma história veneziana), poema em oitava-rima, de tom ligeiro e cáustico, em que ridiculariza a alta sociedade de Veneza. Em 1819 começou o poema herói-cômico Don Juan (1819-1824), sátira brilhante e atrevida, à maneira do século XVIII, que deixaria inacabada. No mesmo ano ligou-se à condessa Teresa Guiccioli, seguindo-a a Ravena onde, juntamente com o irmão dela, participou das conspirações dos carbonários.

Byron usou com igual mestria o verso curto de Walter Scott, o verso branco, a oitava-rima e a estrofe spenseriana. Seu aristocratismo se reflete na escolha de um estilo classicista pelo qual tratou uma temática fundamentalmente romântica. Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a se voltar contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como um grande painel autobiográfico. Foram novos, em sua postura, o tom declarado de rebeldia ante as convenções morais e religiosas e o charme cínico de que seu herói demoníaco sempre se revestiu.

Como moda literária, o byronismo se espalhou pela Europa até as últimas décadas do século XIX, com projeções crescentes e importantes nos países jovens da América. Foram sensíveis à influência de Byron, entre muitos outros, o espanhol Espronceda, os franceses Lamartine, Vigny e Musset, os russos Puchkin e Lermontov, o argentino Esteban Echeverría e o brasileiro Álvares de Azevedo.

Em novembro de 1821, tendo fracassado o movimento revolucionário dos carbonários, Byron partiu para Pisa, onde escreveu o drama The Deformed Transformed (1824; O deformado transformado). Em 1822 fundou, com Leigh Hunt, o periódico The Liberal. Foi a seguir para Montenegro e daí para Gênova. Nomeado membro do comitê londrino pela independência da Grécia, embarcou para aquele país em 15 de julho de 1823, a fim de combater ao lado dos gregos contra os turcos. Passou quatro meses em Cefalônia e viajou para Missolonghi, onde morreu em 19 de abril de 1824, após contrair uma misteriosa febre.

domingo, 18 de abril de 2010

Albert Einstein: Biografia

O mais célebre dos cientistas do século XX, responsável por teorias que revolucionaram não apenas a física, mas o próprio pensamento humano, Einstein acreditava que só a evolução moral impediria uma catástrofe a nível planetário.


Albert Einstein nasceu na cidade alemã de Ulm, em 14 de março de 1879. Filho de um pequeno industrial judeu, iniciou os estudos em Munique e cedo se destacou no estudo da matemática, física e filosofia. Ainda na infância, incentivado pela mãe, começou a estudar violino, instrumento que o acompanharia ao longo da vida. Com o objetivo de tornar-se professor, concluiu o curso de graduação no Instituto Politécnico de Zurique, em 1900, época em que já dedicava a maior parte de seu tempo ao estudo da física teórica. Obteve nessa época a cidadania suíça e, não tendo conseguido colocação na universidade, aceitou um lugar no departamento de patentes em Berna.

Em 1905, ano em que concluiu o doutorado, Einstein publicou quatro ensaios científicos, cada um deles com uma grande descoberta no campo da física. No primeiro, fez uma análise teórica do movimento browniano, produzido pelo choque das partículas de um líquido sobre corpos microscópicos nele introduzidos; no segundo, formulou uma nova teoria da luz, com o importante conceito de fóton, baseando-se na teoria quântica proposta em 1900 pelo físico Max Planck; no terceiro, expôs a formulação inicial da teoria da relatividade e no quarto e último trabalho, propôs uma fórmula para a equivalência entre massa e energia, a célebre equação E = mc2, pela qual a energia E de uma quantidade de matéria, com massa m, é igual ao produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz, representada por c.

Descoberta da relatividade. No ensaio dedicado à relatividade, intitulado "Elektrodynamik Bewegter Körper" ("Movimento eletrodinâmico dos corpos"), o cientista afirma que espaço e tempo são valores relativos e não absolutos, ao contrário do que se acreditava até então. Afirma ainda ser a da luz a velocidade máxima no universo e acrescenta: para o corpo que se deslocasse a essa velocidade, o tempo sofreria uma dilatação, ao mesmo tempo em que se registraria uma contração do espaço. Assim, o corpo que permanecesse em repouso envelheceria em relação ao outro corpo, em movimento.

Cada vez mais respeitado no meio acadêmico, Einstein ensinou em Berna, Zurique e Praga, entre os anos de 1909 e 1913. Foi então convidado a ocupar uma cátedra na Universidade de Berlim, que pouco depois acumulou com a direção do respeitado Instituto Kaiser Wilhelm. Nessa época, sua grande preocupação era a generalização da teoria da relatividade, com a elaboração de uma nova teoria capaz de interpretar, por meio de considerações semelhantes, o campo eletromagnético e o campo gravitacional, que acabaria por receber a denominação de teoria do campo unificado. Em 1916, o cientista publicou Grundlage der allgemeinen Relativitätstheorie (Fundamento geral da teoria da relatividade), formulação final da teoria geral da relatividade. Nesse mesmo ano, passou a manifestar uma preocupação com os problemas sociais que o acompanharia ao longo de toda a sua carreira.

Em 1919, Einstein tornou-se conhecido em todo o mundo, depois que sua teoria foi comprovada em experiência realizada durante um eclipse solar. Por essa época começou a viajar pelo mundo, não apenas para expor suas teorias físicas, mas também para debater problemas como o racismo e a paz mundial. Uma dessas viagens o traria ao Brasil, em 1925. Em 1921, foi agraciado com o Prêmio Nobel de física e indicado para integrar a Organização de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. No mesmo ano, publicou Über die spezielle und allgemeine Relativitätstheorie gemeinverständlich (Sobre a teoria da relatividade especial e geral), obra de divulgação.

A noção de equivalência entre massa e energia, a do continuum quadridimensional e outras descobertas de Einstein provocaram uma verdadeira renovação do pensamento humano, num período de grande fertilidade intelectual, com interpretações filosóficas das mais diversas tendências. Os resultados de suas descobertas foram utilizados como argumento tanto pelos defensores do empirismo de total rigor lógico quanto pelos adeptos do idealismo matemático, segundo o qual o universo pode ser reduzido à abstração das fórmulas e das relações numéricas.

Bomba atômica e pacifismo. Em 1933, um ano após visitar universidades e instituições de pesquisas nos Estados Unidos, Einstein renunciou a seus cargos na Alemanha, onde os nazistas já estavam no poder, e fixou residência em território americano. Passou a ensinar no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, do qual se tornaria diretor. Em 1940 adotou a cidadania americana.

Durante esse período, o desenvolvimento de armas nucleares e as manifestações cada vez mais freqüentes de racismo no mundo constituíram as principais preocupações de Einstein. Os físicos alemães Otto Hahn e Lise Meitner tinham descoberto como provocar artificialmente a fissão do urânio. Na Itália, as pesquisas de Enrico Fermi indicavam ser possível provocar uma reação em cadeia, com a liberação de um número cada vez maior de átomos de urânio e, em conseqüência, de enorme quantidade de energia. Fermi, que acabara de chegar aos Estados Unidos, e os físicos húngaros Leo Szilard e Eugene Wigner pediram então a Einstein que entrasse em contato com a Casa Branca. Ele escreveu então uma carta ao presidente Franklin Roosevelt em que alertava para o risco que significaria para a humanidade a utilização pelos nazistas da tecnologia nuclear na fabricação de armas de grande poder destrutivo. Logo após receber a mensagem, o chefe de estado americano deu início ao projeto Manhattan, que tornou os Estados Unidos pioneiros no aproveitamento da energia atômica em todo o mundo e resultou na fabricação da primeira bomba atômica.

Embora não tivesse participado do projeto e sequer soubesse que uma bomba atômica tinha sido construída até que Hiroxima fosse arrasada, em 1945, o nome de Einstein passou para a história associado ao advento da era atômica. Durante a segunda guerra mundial, ele participou da organização de grupos de apoio aos refugiados e, terminado o conflito, após o lançamento de bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, uniu-se a outros cientistas que lutavam para evitar nova utilização da bomba. Intensificando a militância pacifista, defendeu particularmente o estabelecimento de uma organização mundial de controle sobre as armas atômicas. Em 1945, renunciou ao cargo de diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, mas continuou a trabalhar naquela instituição.

A intensa atividade intelectual de Einstein resultou na publicação de grande número de trabalhos, entre os quais vale destacar Warum Krieg? (1933; Por que a guerra?), em colaboração com Sigmund Freud; Mein Weltbild (1949; O mundo como eu o vejo); e Out of My Later Years (1950; Meus últimos anos). A principal característica de sua obra foi uma síntese do conhecimento sobre o mundo físico, que acabou por levar a uma compreensão mais abrangente e mais profunda do universo. Suas descobertas tornaram possível entender o comportamento das partículas animadas de grande velocidade e suas respectivas leis. Os princípios da relatividade revolucionaram a física newtoniana pois, com o emprego de aceleradores, tornou-se possível obter partículas animadas de enorme velocidade, cuja mecânica em muito se afasta das leis newtonianas.

Einstein conseguiu reduzir as leis da mecânica e harmonizá-las com aquelas que regem as propriedades dos campos eletromagnéticos. Com sua concepção de fóton, permitiu que mais tarde se fundissem, na teoria ondulatória de Louis de Broglie, a mecânica e o eletromagnetismo, o que no século anterior parecia impossível. Albert Einstein morreu em Princeton, em 18 de abril de 1955.

domingo, 28 de março de 2010

Virgínia Woolf - Biografia

Virginia Woolf (Londres, 25 de Janeiro de 1882 — Lewes, 28 de Março de 1941) foi uma das mais importantes escritoras britânicas.Filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário.
Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e se mata de forma triunfante.

Virginia Woolf foi integrante do grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais que, após a Primeira Guerra Mundial, se posicionaria contra as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana. Deste grupo participaram, dentre outros, os escritores Roger Fry e Duncan Grant; os historiadores e economistas Lytton Strachey e John Maynard Keynes; e os críticos Clive Bell e Desmond McCarthy.

A obra de Virginia é classificada como modernista. O fluxo de consciência foi uma de suas marcas mais conhecidas e da qual é considerada uma das criadoras.Viveu e sobreviveu pela arte que atravessava os canais vitais e mais íntimos do seu ser. Sofreu como todo ser humano está destinado a sofrer, mas soube através do movimento mínimo de suas mãos imbuir as palavras assomadas com a dor e com a alegria que tanto a maceravam.

Suas reflexões sobre a arte literária - da liberdade de criação ao prazer da leitura - baseadas em obras-primas de Conrad, Defoe, Dostoievski, Jane Austen, Joyce, Montaigne, Tolstoi, Tchekov, Sterne, entre outros clássicos, foram reunidos em dois volumes publicados pela Hogarth Press em 1925 e 1932 sob o título de The Common Reader - O Leitor Comum, homenagem explícita da autora àquele que, livre de qualquer tipo de obrigação, lê para seu próprio desfrute pessoal. Uma seleta destes ensaios, reveladores da busca de Virginia Woolf por uma estética não só do texto mas de sua percepção, foi reunida em língua portuguesa em 2007 pela Graphia Editorial, com tradução de Luciana Viegas.


Obras:

A viagem (The Voyage Out) (1915)
Noite e dia (Night and Day) (1919)
O quarto de Jacó (Jacob's Room) (1922)
Mrs. Dalloway (1925)
O Leitor Comum (The Common Reader) (1925 - Primeiro volume)
Rumo ao farol (To the Lighthouse) (1927)
Orlando - Uma biografia (Orlando: A Biography) (1928)
As ondas (The Waves) (1931)
O Leitor Comum (The Common Reader) (1932 - Segundo volume)
Flush (Flush: A Biography) (1933)
Os anos (The Years) (1937)
Roger fry (1940)
Entre os atos (Between the Acts) (1941)
Contos Completos (1917-1941)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Goethe: Biografia

Escritor alemão autor de uma gigantesca produção literária. Escreveu principalmente poesias e peças de teatro.


Johann Wolfgang von Goethe, nasceu em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt am Main (sobre o rio Meno), Alemanha, e faleceu em março de 1832, aos 82 anos, em Weimar. Filho mais velho de um advogado rico, Johan Kaspar Goethe, e de uma aristocrata de Frankfurt, Katharine Elizabeth Textor, teve, de acordo com sua autobiografia, uma infância cercada de estimulação e conforto, e recursos para uma juventude boêmia e tão emocionalmente febril que algumas vezes chegou a recear perder a razão. De seus sete irmãos, apenas sua irmã Cornélia, nascida em 1750, sobreviveu.

Durante a Guerra dos Sete Anos envolvendo a França, a Áustria e a Rússia de um lado, e do outro a Inglaterra e a Prússia, de complexos e inextricáveis motivos, aconteceu que tropas franceses ocuparam Frankfurt e seu comandante foi alojado na casa de Goethe, para desconforto da família e irritação de seu pai que não era simpático aos franceses. Dessa época Goethe guardava algumas lembranças desagradáveis, como a reprovação paterna por ele assistir ao teatro encenado por atores franceses e também pelo escândalo armado em torno de seu amor infantil por Gretchen, uma menina que tentou tirar vantagem da paixão do garoto com prejuízo para a família.

Sua instrução nos primeiros anos foi dada por seu pai, e depois continuada por mestres contratados como tutores. Em outubro de 1765, aos 16 anos, iniciou estudos de Direito na universidade de Leipzig, cidade da qual logo descobriu o lado boêmio e a qual considerava uma pequena Paris. Lá estudou também desenho, e desenvolveu interesse pela pintura.

Obcecado por sexo, Goethe tinha as mulheres como indispensáveis energizadoras do corpo, e civilizadoras do espírito do homem, e fonte de sua vida criativa. Em Leipzig Goethe apaixonou-se por Anna Katharina Schonkopf, filha de um comerciante de vinhos local. Escreveu Das Leipziger Liederbuch, inspirado nesse amor. Em 1768 retornou para casa em Frankfurt a fim de recuperar a saúde, debilitada pelos excessos da vida em Leipzig. Enquanto convalescia ocupou-se de leituras, introspecção religiosa, e experiências com alquimia e astrologia. Após sua recuperação os pais o enviaram a Strasbourg, capital da Alsácia, uma cidade que era francesa porem de forte cultura alemã, a fim de prosseguir seus estudos de Leis.

No inverno de 1770-1771 Goethe, já advogado, participa no movimento Sturm und Drang ("Tempestade e impetuosidade") liderado por Johan Gottfried Herder, de quem se fizera amigo. Esse movimento, que teve curta duração, propunha um estilo novo na literatura e no teatro, com uma linguagem cheia de vitalidade primitiva, em contrastante com a afetação gentil de origem francesa própria da literatura de sua época. A peça Geschichte Gottfriedens von Berlichingen mit der eisernen Hand dramatisiert ("História de Gottfriedens von Berlichingen dramatizada com mão de ferro") escrita de 1771-1773, e o seu poema Prometheus, que exorta o homem a acreditar, não nos deuses, mas em sua própria força, estão vazados nesse novo estilo de linguagem direta, no qual também escreve poemas para sua nova paixão, Frederica Brion, filha do pastor de Sessenheim, uma pequena vila cerca de 40 quilômetros a nordeste de Strasbourg, à margem da ferrovia para Lauterstein.

Após terminar o romance com Frederica, Goethe retornou a Frankfurt onde, de 1771 a 72, advogou, escreveu poesia e teatro, e colaborou no Frankfurter Gelehrte Anzeigen. Por força do seu trabalho jurídico, passou quatro meses em Wetzlar, sede da corte de justiça imperial. Enquanto advogou em Wetzlar, ainda em 1772, enamorou-se de Charlotte Buff, a noiva de um colega, uma paixão que quase o levou ao suicídio.

Em 1774, Goethe mudou-se para Wetzlar onde escreveu versos ainda sob a influência dos antigos, imitando a Píndaro, poeta grego, e dedicados às suas paixões do momento. No mesmo ano publicou sua primeira história auto-reveladora, Die Leiden des Jungen Werthers ("As desventuras do jovem Werther ") contando seu desesperado amor por Charlotte Buff. O personagem Werther, que comete suicídio, torna-se o protótipo do herói romântico. Curou-se com outra paixão, desta vez por Maximiliane von La Roche, filha da escritora Sophie von La Roche.

Uma nova paixão inspiradora desenvolveu em 1775 o levou a noivar com Lili Schonemann, que vivia com a mãe, viuva de um rico banqueiro de Frankfurt e figura da elite social da cidade. Lili o inspirou a escrever duas operetas Erwin und Elmire e Claudine von Villa Bella. O pouco interesse em participar do círculo da aristocracia local fez arrefecer sua paixão e o levou a romper o noivado.

Ainda em 1775, ano de muitos eventos em sua vida, Goethe fez uma viagem à Suíça com os amigos Conde von Haugwitz e Friedrich Leopold, Conde de Stolberg, este um ano mais moço que ele e acabara de completar seus estudos na universidade. Neste ano escreveu também Stella, a história de um homem, Fernando, que encontra um modo de conciliação entre sua mulher Cecília e sua amante Stella: viverem juntos os três. A peça provocou protestos e Goethe viu-se obrigado a modificar a solução dada, promovendo o suicídio de dois personagens da trama.

Em fins de 1774, Carlos Augusto, jovem duque de Saxe-Weimar-Eiisenach, havia passado por Frankfurt a caminho de Paris e convidara o poeta para visitar Weimar, a capital do ducado. Em 1775, depois de herdar o governo do Ducado, o príncipe repetiu o convite e Goethe aceitou. No mesmo ano mudou-se para Weimar, disposto a viver os prazeres da corte. Em pouco tempo a população o acusava de desencaminhar o príncipe, que reagiu fazendo o poeta comprometer-se com setores do governo que deixou a seu cargo. Era parte de seu trabalho, como ministro do pequeno principado, inspeccionar minas, supervisionar a irrigação do solo, providenciar uniformes para a pequena milícia, e outros serviços administrativos.

Os duros afazeres de seu cargo obrigaram-no a deixar de lado obras já iniciadas, como Egmont, Faust, Torquato Tasso e Iphigenie auf Tauris. Mas não o distraíram de sua obsessão pelas mulheres. Seu grande amor na época foi Charlotte von Stein, mulher de outro funcionário palaciano. Frau von Stein dominou a vida do poeta por 12 anos, "O belo talismã de minha vida", como ele próprio a chamava, mulher de gosto refinado, era mais velha que ele 7 anos, e mãe de sete filhos. Ele a conheceu quando tinha 26 anos e ela 33 e chegou a escrever-lhe mais de 1.500 cartas.. Esta paixão inspirou o Die Geschwister e outros poemas.

Por volta de 1780 já era fanado o movimento Sturm und drang e Goethe havia retornado ao humanismo clássico. Então, juntamente com Herder, foi membro da sociedade secreta os Illuminati, a qual, a partir de 1780 foi conhecida como "Maçonaria Iluminada", alcançou grande prestígio entre as elites européias, sendo extinta pelo governo da Bavária, que instituiu em 1787 pena de morte para os membros recalcitrantes.

No outono de 1786, Goethe decidiu sacudir o jugo de seu cargo e viajou subitamente para a Itália. Estava no famoso balneário de águas quentes de Karlovy Vary, mais conhecido pelo nome alemão de Karlsbad (hoje na República Checa), quando escapou numa diligência postal levando consigo, além da roupa do corpo, apenas um bornal. Adotou um nome falso e passou incógnito por Munich, Brenner, Lago di Garda, Verona e Veneza. Em Roma, encontrou a colônia de artistas alemães que o recebeu com grande simpatia, ele próprio passando por pintor. No ano seguinte viajou a Nápoles e Sicília.

Desistindo da pintura, ainda em Roma voltou à literatura. Escreveu a peça dramática Iphigenie Auf Tauris ("Ifigênia na Táurida"), concluída em Roma em 1787. Publicaria posteriormente o diário da sua estada na Itália, sob o título Italianische Reise ("Viagem Italiana").

É de 1788 Egmont, tragédia de fundo político, em 5 atos, que se passa em meados do século XVI e que tem por cenário a luta dos holandeses contra o domínio espanhol. Egmont, que acaba traído, preso e condenado à morte, quer a liberdade por via negociada. O príncipe Guilherme de Orange, seu amigo, quer a luta armada. Ao ver o fim que esperava Egmont, sua amante Clarinda comete o suicídio.

De sua viagem à Itália, que findou em 1788, o principal produto foi Romische Elegien ("Elegias romanas") poemas sensuais escritos de 1788 a 1789, nos quais admira os vestígios da Antigüidade clássica e louva os antigos. Estava então amasiado com Christiane Vulpis, filha de um funcionário humilde do ducado. Com Christiane ele montou um lar depois que ela lhe deu o filho August, o mais velho e único sobrevivente de 5 crianças, mas somente se casaram em 1806. Até seu casamento apresentou a jovem Christiane como governanta de sua casa.

Em Weimar, uma das poucas casas que aceitavam receber Goethe e Christiane era a de frau Schopenhauer, mulher que, deixada viuva, adotara o amor livre e atraia a boemia de Waimar. Sempre censurada pelo filho, o filosofo Arthur Schopenhauer, que repudiava seu modo de vida, brigou com ele para nunca mais se verem.

É de 1790 a peça teatral Torquato Tasso, que aborda as dificuldades da linguagem e o problema do conflito entre o compromisso social do poeta e de como preservar sua individualidade.

Friedrich von Schiller (1759-1805), outra importante figura da literatura alemã, passa a residir em Weimar em 1794 e se torna grande amigo de Goethe. As cartas trocadas por ambos encheram quatro volumes impressos. Schiller estimulou-o a continuar a escrever o Fausto, do qual Goethe havia publicado a primeira parte em 1790. Nos anos seguintes Goethe contribuiu para o jornal de Schiller Die Horen, publicou Wilhelm Meisters Lehrjahre em 1795-96, e continuou a escrever em seu próprio jornal literário Propyläen.

Já sem os seus compromissos no governo de Weimar, Goethe continuou porém diretor do teatro da corte até 1817. Também acompanhou o Duque Garlos Augusto na campanha de 1792 em território francês, que culminou com a batalha de Valmy, um desastre que ele narra em duas obras Campagne in Frankreich-1792 e Belagerung von Mainz. A idéia das forças austro-prussianas era restaurar no trono Luiz XVI, deposto pela Revolução Francesa e cujo fado estava para ser a morte na guilhotina pouco depois.

Goethe dedicou-se em 1795 e o ano seguinte ao romance Wilhelm Meisters Lehrjahre ("Os anos de aprendiz de Wilhelm Meister"), que segue o mesmo tema da relação do homem com a sociedade abordado em Torquato de Tasso, com a exortação de que o homem deve se descobrir a si mesmo em meio aos diversos encargos e provas da vida em sociedade,

Em 1803 para ajudar seu amigo o médico, poeta e filósofo Schelling, empenhou-se no caso do divórcio da escritora Carolina Schlegel, que separou-se de Augusto Wilhelm von Schlegel, um intelectual professor na Universidade de Jena, para casar-se com Schelling em 1803. Com seu prestígio pessoal, interferiu também para que Hegel fosse nomeado professor extraordinário da universidade de Berlim em 1805. A morte de Schiller, no mesmo ano, o deixou abalado e em sua homenagem escreveu Epilog zu Schillers Glocke.

Em 1806 Weimar foi invadida pelos franceses e o medo do que podia acontecer a seus bens levou Goethe a casar-se com Christiane Vulpius. A ela devia os cuidados e a dedicação que lhe salvaram a vida naquele ano, quando esteve gravemente doente.

Napoleão, ao invadir a Alemanha em 1808, quis ver o escritor, em cujo nome só se falava. Goethe foi ao seu encontro no Congresso de Erfurt,, e foi por ele condecorado com a grande cruz da Legião de Honra.

Em 1808 Goethe publicou a primeira parte do seu longamente preparado Fausto. Nesta primeira parte, o demônio, Mefistófeles, obtém permissão nos céus para tentar Fausto, um intelectual desiludido com o mundo. Em seu gabinete, Fausto medita sobre sua existência e o sentido da vida, que não consegue desvendar; e pensa em suicídio. O demônio se apresenta e lhe propõe: acompanhá-lo em sua vida terrena, em troca de sua alma, no além. Fausto é levado a conhecer Gretchen, uma jovem angelical por quem se apaixona. Um sonífero dado à mãe da moça possibilita que Fausto passe a noite com ela e a engravide. Ao tomar conhecimento dos fatos, Valentim, irmão de Gretchen, briga com Fausto que acaba por matá-lo e fugir. Desesperada Gretchen escuta a voz incriminadora de sua consciência e mata a criança. Mais tarde Fausto encontra Gretchen louca e encarcerada para ser executada.

Seu biógrafo mais recente, Daniel Wilson, informa que Goethe, como conselheiro em Weimar, havia recomendado por escrito a pena de morte para os casos de infanticídio. Outros membros do conselho do Ducado fizeram coro com ele, resultando a condenação e execução de Anna Catharina Hoehne por esse crime, em 1783.

É sabido que a idéia original do Fausto não é uma criação de Goethe. O escritor alemão dramatizou um relato histórico sobre um verdadeiro Fausto, que viveu na Alemanha no final do século XVI. Era um mágico, astrólogo e alquimista, que andava pelo país gabando-se de poder predizer o futuro e explorando a credulidade do povo ignorante e supersticioso, e dele se dizia que tinha parte com o demônio. Uma das testemunhas da sua existência foi Agrippa von Nettesheim. Segundo um crítico de Goethe, a história do verdadeiro Fausto foi contada primeiro por Christopher Marlowe em um drama impresso em Frankfurt em 1587. De acordo com a peça, Gregorius Faustus, ou Gregorius Sabellicus Fautus Junior (c 1480-1510/1), estudou teologia em Wittenberg, mas, arrogante e superficial, e desejando conhecer todas as coisas na terra e nos céus, recorreu à magia e invocou o Demônio. O Demo lhe aparece, com o nome de Mefistófeles e faz com ele um trato: concorda em ser seu criado por 24 anos, porém com direito à sua alma. O contrato é selado com o sangue de Fausto, que daí em diante tem uma vida de maravilhosas aventuras. Mas, ao final do prazo, é levado pelo demônio e seu corpo sem vida é encontrado na calha do esgoto público.

Goethe deu ao seu "Fausto" um final diferente, permitindo que ele fosse salvo. A segunda parte, com um tema algo diverso, foi publicada mais tarde em 1832.

No início do mesmo ano da publicação da primeira parte do "Fausto", 1808, Goethe começou a escrever Der Wahlverwandtschaften ("Afinidades eletivas"), que terminaria ao final do ano seguinte. Este romance está centrado na análise moral e psicológica do jogo de atratividade e repulsa entre casais ligados por atrações inevitáveis e trata da explosão da paixão em um mundo cuja ordem é por demais frágil para suportar essa invasão. Fala de afinidades magnéticas animais que atrairiam os seres humanos entre si do mesmo modo que os elementos químicos. Nele Goethe considera o matrimônio uma "síntese de impossibilidades". O livro é contemporâneo de seu amor por Minna Herzlieb, uma jovem de dezoito anos, inspirado pelo amor a Minna Herzlieb, filha adotiva de seus amigos Frommann, livreiros em Jena, sendo ele sessentão. A obra foi considerada imoral e levantou protestos.

Na ocasião fez também uma incursão pela ciência, marcada por uma infeliz teoria da luz, que ele propôs na obra Zur Farbenlehre ("Teoria das cores" - 1810), ignorando as descobertas de Newton, e também por suas idéias sobre a "metamorfose das plantas", contida no seu Die Metamorphose der Pftanzen Zu Erklaren, de 1790, muito criticada pelos botânicos. Entre suas últimas obras conta-se sua autobiografia, Dichtung und Wahrheit (Poesia e Verdade"), de 1811.

Christiane, sua mulher, veio a falecer em 1816, e no ano seguinte ele deixou a direção do Teatro de Weimar, ano em que também seu filho se casa.. De 1816 a 1817 publicou Italianische Reise, I-II ("Viagem à Itália"), já referido.

Em 1819, quando namora Mariana Von Willemer, jovem de 18 anos, mulher de seu amigo Von Willemer, escreveu West-östlicher Divan ("Divã do Leste e Oeste"-1819). Essa obra, impregnada de formas e imagens orientais, não foi idéia original de Goethe, pois inspirou-se na versão dos poemas persas de Hafiz, traduzidos por Joseph, Barão von Hammer-Purgstall (1774-1856), um renomado orientalista e diplomata austríaco mais jovem que ele. No mesmo ano publicou também Trilogie der Lindenschuaf.
Uma última paixão pela jovem Ulrique von Levetzow marca seu final de vida e lhe inspira l'Élégie de Marienbad, enquanto também trabalha a obra de maior fôlego, Wilhelm Meisters Wanderjahre oder Die Entsagenden ("Os anos de viagem de Wilhelm Meister ou os Renunciantes") escrita de 1821 a 1829, na qual aborda o tema da busca de uma ordem de vida que englobasse as diferenças individuais, mas que haveria de requerer para isto um certo grau de sacrifício e de renuncia.

Goethe continuou criativo até seus últimos anos. Em 1832 é conhecida a segunda parte do Fausto. Mefistófeles leva Fausto à corte e ambos salvam o império da falência. O imperador exige, como prova das artes mágicas de Fausto, que ele faça aparecer Helena e Paris, figuras da mitologia grega. Fausto realiza a proeza, mas desmaia ao tentar abraçar Helena. Juntamente com seu ex-criado, que havia conseguido produzir um homem artificial, o. Homúnculos, segue para a Grécia, à procura de Helena. Na Grécia o Homúnculos deseja adquirir proporções normais e, aconselhado por Proteus, que que tem o poder de tudo transformar, mergulha no mar, porém nas águas se transforma em luz fosforescente. Fausto encontra Helena e fogem para se casar em um castelo medieval. Com ela Fausto tem um filho, mas Helena volta ao reino das sombras. Fausto apoia o imperador que está ameaçado por uma revolta e, com a ajuda de Mefistófeles, vence o inimigo. Como recompensa recebe terras e almeja uma vida tranqüila. Porém tem que lutar contra quatro mulheres que representam a Culpa, a Carência, a Preocupação e a Necessidade. Não consegue vencer a Preocupação, que o atinge e o cega. Morre desejando uma sobrevida espiritual e, por essa sua fé, os anjos salvam sua alma e Mefistófeles perde o jogo.

Em 1832, a 22 de março, Goethe veio a falecer em sua casa, em Weimar.



Fonte: Cobra, Rubem Queiroz - NOTAS: Vultos e episódios da Época Contemporânea. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 1997 ("www.geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de www.cobra.pages.nom.br)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Cruz e Souza: Biografia

João da Cruz e Sousa nasceu a 24 de novembro de 1861 em Nossa Senhora do Desterro, capital da Província de Santa Catarina, atualmente, Florianópolis. O nome João da Cruz é uma alusão ao Santo homenageado no dia de seu nascimento, San Juan de la Cruz. Filho dos escravos alforriados Guilherme, pedreiro; e de Eva Carolina da Conceição, cozinheira e lavadeira, João da Cruz foi criado pelo Coronel Guilherme Xavier de Sousa (que viria tornar-se Marechal) e sua esposa Clarinda Fagundes de Sousa, que não tiveram filhos. Assim, acabou por herdar o nome Sousa e obteve uma educação proporcional a dos brancos abastados de seu tempo. Com apenas 9 anos de idade já escrevia e recitava seus poemas para os familiares. Com o falecimento de seu protetor em 1870, as condições de vida tornaram-se menos confortáveis para o jovem João da Cruz.


Em 1871, entrou no Ateneu Provincial Catarinense. A partir de 1877, lecionava aulas particulares por necessidade financeira e impressionava seus companheiros de estudo pela capacidade intelectual. Conhecedor profundo de francês, chegou a ser citado numa carta do naturalista alemão Fritz Muller. Nesta carta dirigida ao próprio irmão em 1876, o naturalista citava João da Cruz como um exemplo contrário das teorias de inferioridade intelectual dos negros.

No ano de 1877, suas obras poéticas passaram a ser publicadas em jornais de Santa Catarina. Ao lado dos amigos Virgílio Várzea e Santos Lostada, João da Cruz fundou um jornal literário intitulado "O Colombo", em 1881. No ano seguinte fundo a "Folha Popular". Nesta mesma época, partiu em excursão pelo Brasil junto a uma companhia teatral e declamava seus poemas nos intervalos das apresentações. Também se engajou na luta social e passou a liderar conferências abolicionistas. Em 1883, foi nomeado promotor da cidade de Laguna. Mas não chegou a assumir o cargo devido ao furor preconceituoso de chefes políticos da região.

Em 1885 publica seu primeiro livro de co-autoria de Virgílio Várzea, intitulado Tropos e Fantasias. Até 1888 atuou em jornais, revistas e no centro da Imigração da Província de Santa Catarina. Neste mesmo ano, viajou para o Rio de Janeiro a convite de Oscar Rosas.

Em 1891 transferiu-se definitivamente para a então capital da República, Rio de Janeiro. A partir daí entrou em contato com novos movimentos literários vindos da França. Neste caso, João da Cruz e Sousa identificou-se especialmente com o chamado Simbolismo. O negro sulista que se enveredava pelos caminhos do Simbolismo, sofria duras críticas do meio intelectual de sua época; já que nesse momento, o Parnasianismo era a referência literária emergente.

Em novembro de 1893 casou-se com Gavita Rosa Gonçalves, também descendente de escravos africanos. Deste matrimônio nasceram quatro filhos, Raul, Guilherme, Reinaldo e João. Mas todos faleceram de tuberculose pulmonar. Sua esposa, ainda sofreu de distúrbios mentais que chegaram a refletir até mesmo nos escritos do poeta.

Ainda em 1893 publicou dois livros: Missal (influenciado pela prosa de Baudelaire) e Broquéis; obras que marcaram o lançamento do movimento simbolista brasileiro. Em 1897, concluiu um livro de prosa poética denominado Evocações. Quando preparava-se para publicá-lo, viu-se abatido pela tuberculose e partiu para Minas Gerais em busca de tratamento. Faleceu em 19 de março de 1898 aos 36 anos de idade. Seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro num vagão para transporte de gado. O amigo José do Patrocínio pagou as despesas com o funeral e o enterro no cemitério São Francisco Xavier. No ano de sua morte ainda foi publicado Evocações. Em 1900, Faróis; e em 1905, o volume de Últimos Sonetos.

O negro que contrariou o preconceito racial e se pôs a liderança do Simbolismo brasileiro, é autor de uma obra que traz versos como: "Anda em mim, soturnamente / Uma tristeza ociosa / Sem objetivo, latente / Vaga, indecisa, medrosa" (Tristeza Do Infinito - Últimos Sonetos). Além de: "De dentro da senzala escura e lamacenta / Aonde o infeliz / De lágrimas em fel, de ódio se alimenta / Tornando meretriz" (Da Senzala – O Livro Derradeiro). Percebe-se num primeiro momento o sofrimento de uma alma que ecoou diretamente em sua obra. Mas posteriormente, a consciência social e humanista de um cidadão. Cruz e Sousa, o Dante Negro ou Cisne Negro, foi um poeta Simbolista que ainda não obteve o reconhecimento literário devido, mas agrega em sua obra a essência única de um autor que cativa e comove por sua autenticidade.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Keats:Biografia

Aparentemente romântico Keats tornou-se um dos maiores clássicos da literatura inglesa e definiu a beleza no verso magistral que também diz muito de sua atitude para com a vida: A thing of beauty is a joy for ever ("Uma coisa bela é uma alegria para sempre").

John Keats nasceu em Londres em 31 de outubro de 1795. De origem pobre, teve educação irregular. Ao perder os pais, seu tutor o estimulou a aprender o ofício de cirurgião e o jovem poeta trabalhou em dois hospitais, mas abandonou a medicina para dedicar-se à literatura. Em 1817 Keats publicou Poems (Poemas), de concepção ultra-romântica, mas que já prenunciava seu caminho futuro, como no extenso poema "Sleep and Poetry" ("Sono e poesia"). Keats leu Spenser, Shakespeare, Marlowe e clássicos traduzidos, como Homero. Com base em leituras mitológicas, concebeu seu Endymion (1818; Endimião), em que inverte o mito da paixão de Diana (a Lua) pelo pastor. Fez de Endimião uma alegoria do amor pela beleza ideal, estética que mais tarde intensificou.

Até então rejeitado pela crítica, Keats concebeu um projeto ainda mais ambicioso, o Hyperion (Hiperião), planejado em 1818 para dez cantos, mas abandonado com quatro em 1819. O tema, a expulsão dos titãs do Olimpo pelos novos deuses, é alegoria evidente da derrota das trevas pelos novos ideais de beleza. Keats, porém, não deve ser tomado por épico. Sua obra é essencialmente lírica e compreende alguns dos poemas mais perfeitos do gênero em língua inglesa. Exprimem estética semelhante à dos poemas longos, particularmente o Hyperion, ou seja, a do belo como felicidade sensível, inatingível mas entrevista, como no célebre "The Eve of St. Agnes" (1819; "As vésperas de santa Inês").

O gênio de Keats também se revela poderoso nas grandes odes em que expressou a "capacidade negativa", segundo suas palavras, de persistir na dúvida e no mistério, sem racionalizar, como a "Ode to a Nightingale" ("Ode a um rouxinol"), a "Ode to melancholy" ("Ode à melancolia") e a "Ode to a Grecian Urn" ("Ode a uma urna grega"), em que exalta o ideal de permanência da arte. Também famosas são a "Ode on indolence" ("Ode à Indolência"), "Ode to Psyche" ("Ode a Psiquê") e "Ode to Antumn" ("Ode ao Outono"). Na balada "La Belle Dame sans merci", volta o tema do inatingível ideal estético.

Ao cuidar do irmão tuberculoso, Keats contaminou-se. Sua saúde declinou rapidamente e os últimos meses do poeta foram vividos em Roma, onde morreu em 23 de fevereiro de 1821. Prevendo o esquecimento, pediu que se gravasse em sua lápide o epitáfio: "Here lies One / Whose Name was writ in Water" ("Aqui jaz alguém / Cujo Nome foi escrito na Água"). Ocorreu o contrário: sua influência estendeu-se a simbolistas, pré-rafaelitas e até a modernos do início do século XX.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Agatha Christie: Biografia

Escritora e dramaturga inglesa (15/9/1890-12/1/1976). Um dos maiores fenômenos da literatura mundial, com aproximadamente 2 bilhões de exemplares vendidos. Filha de pai norte-americano e mãe inglesa, seu nome de solteira é Agatha Mary Clarissa Miller. O sobrenome Christie vem do primeiro marido, um aviador inglês. Em 1917, desafiada pela irmã Madge a criar uma trama policial, escreve o primeiro livro, O Misterioso Caso de Styles, publicado em 1920. Suas 87 obras seguintes – romances, memórias e peças teatrais – são, na maioria, de suspense e rendem-lhe o título de "rainha do crime". Escreve ainda seis romances sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Seu personagem mais constante é o detetive Hercule Poirot, um belga, que aparece em 33 livros. Outra personagem conhecida é a curiosa Miss Marple (o caso do Hotel Bertram), inspirada na avó de Agatha. Sua peça mais popular é A Ratoeira (1951), encenada mais de 13 mil vezes na Inglaterra. Alguns de seus livros se tornam filmes, como Assassinato no Expresso Oriente (1974) e Morte no Nilo (1978).